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Documentário nacional debate politicamente correto e apresenta humor do pós-ditadura

'Rindo à Toa - Humor sem Limites' tem depoimentos de integrantes do 'Casseta & Planeta'

Naief Haddad
São Paulo

Rindo à Toa - Humor sem Limites

  • Classificação 12 anos
  • Produção Brasil, 2018. 102 min
  • Direção Cláudio Manoel, Álvaro Campos e Alê Braga

Em fevereiro, os diretores Cláudio Manoel, Álvaro Campos e Alê Braga lançaram o documentário “Tá Rindo de Quê?”, que aborda o humor no período da ditadura militar.

É um painel com expressões múltiplas, como as comédias no cinema, os programas de TV, o teatro cômico, as charges, os cartuns. O filme acerta ao fugir da tentação de alcançar uma tese ou um arremate conclusivo.

Com os mesmos cuidados do documentário anterior, o trio de diretores lança agora “Rindo à Toa - Humor sem Limites”, que vai do início da redemocratização, em 1985, ao começo dos anos 2000. É o período em que, aos olhos de hoje, o discurso politicamente correto sofreu ataques por todos os lados.

Como lembra Cláudio Paiva, um dos mais inventivos roteiristas da TV brasileira, setores da sociedade se incomodavam com expressões do humor em ascensão naquela época, mas não havia quem ousasse impor limites depois de tantos anos de censura. Estava aberta a temporada do deboche e da sátira pesada.

Ao lado de Hubert e Reinaldo, Paiva foi um dos fundadores do jornal O Planeta Diário, uma das extraordinárias criações do humor da década de 1980. O filme dedica bom espaço às loucuras do tabloide e mostra como, mais adiante, as turmas do Planeta Diário e do Casseta Popular se uniram, dando origem ao “Casseta & Planeta”.

“Rindo à Toa” também reúne uma boa seleção de cenas e depoimentos para nos lembrar como o "TV Pirata", criado por Paiva e Guel Arraes, representou uma reviravolta na televisão.

Três décadas depois de estrear na Globo, as sátiras do programa se mantêm atuais. Além disso, atores como Ney Latorraca e Regina Casé tiveram nesse humorístico alguns dos melhores momentos das suas carreiras.

Na produção televisiva mais inquieta do Rio, havia o nonsense do "TV Pirata"; em São Paulo, com menos visibilidade, a ingenuidade corrosiva de Ernesto Varela. Exibidas inicialmente pela TV Gazeta, as perguntas insólitas do repórter interpretado por Marcelo Tas a figuras públicas criava situações hilárias.

“Rindo à Toa” tem a sabedoria de lançar dúvidas pertinentes em vez de estacionar em certezas. Talvez a principal questão seja: o exagero do humor dos anos 1980 e 1990 se confundia com desrespeito?
Em depoimento ao lado da Laerte, Angeli diz que talvez não fizesse hoje algumas charges que lançou naquela época.

Mas as reflexões sobre humor não abafam o próprio humor. Ao longo dos depoimentos, Laerte e Angeli zombam um do outro. Ilusões dos anos 1980 se perderam pelo caminho, mas ao menos a camaradagem divertida se manteve.

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