Diretora do Festival de Berlim seleciona 10 filmes para a 43ª Mostra de Cinema

Na Carta Branca de Mariette Rissenbeek figuram títulos como 'Contra a Parede'

São Paulo

Com exceção da língua comum, como os filmes traduzem sua origem cultural ou nacional em uma época de fronteiras tão porosas? A seleção para a Mostra de dez títulos representativos do cinema alemão contemporâneo dá uma resposta indefinida a esta questão. Mariette Rissenbeek, que assina a curadoria, comandou por 16 anos a German Films, organismo que promove a produção local, e é a nova diretora-executiva da Berlinale.

Cena do alemão 'Oh Boy', de Jan Ole Gerster
Cena de 'Oh Boy' (2012), de Jan Ole Gerster - Divulgação

O recorte reúne títulos realizados entre 2003 e 2014 e tem a vantagem de não tentar reduzir a variedade temática e formal a algum selo ou parentesco estilístico. A diversidade geracional dos realizadores confirma a intenção pluralista. Há desde a veterana Margarethe von Trotta, cujo trabalho como diretora e atriz remonta ao momento do novo cinema alemão nas décadas de 1960 e 1970, até realizadores mais jovens e conectados com o presente.

Metade do pacote de dez já circulou no circuito comercial: “As Mulheres da Rosenstrasse”, “Contra a Parede”, “À Espera de Turistas”, “Hanami - Cerejeiras em Flor” e “Phoenix”. A Mostra é uma oportunidade para conhecê-los ou revê-los em tela grande.

“Verão em Berlim”, de Andreas Dresen, e “O Estranho em Mim”, de Emily Atef, são ficções intimistas focadas em personagens femininas. A maturidade e a solidão para as personagens de Dresen ou a maternidade para a protagonista do longa de Atef disparam situações de crise que os cineastas filmam colando a câmera aos corpos, implodindo o insistente estereótipo da fragilidade.

A crise é motor também de “Todos os Outros”, segundo longa de Maren Ade, diretora do formidável “Toni Erdmann” (2016). A partir do motivo banal de um casal em férias, Ade desnuda o personagem masculino e filma o amor como um jogo de alternância entre fusão e combate.

“Oh Boy” se inspira na nouvelle vague, no cinema indie e em Woody Allen para narrar um dia na vida de Niko, jovem adulto que não consegue deixar a adolescência. Filmado com leveza e energia, o longa de estreia de Jan Ole Gerster é tão berlinense quanto paulistano, parisiense ou nova-iorquino, o que o torna ainda mais irresistível. 

A escolha de Mariette

À Espera de Turistas
Am Emde Kommen Touristen. Alemanha, 2007. Direção: Robert Thalheim. Com: Alexander Fehling, Ryszard Ronczewski e Barbara Wysocka. 85 min. 14 anos.
Um jovem alemão presta serviço comunitário no Museu de Auschwitz, onde cuida do centro de visitantes e de um rabugento sobrevivente do local.

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Contra a Parede
Gegen die Wand. Alemanha/Turquia, 2004. Direção: Fatih Akin. Com: Sibel Kekilli, Birol Ünel e Güven Kiraç. 121 min. 16 anos.
Para escapar da casa dos pais, uma jovem muçulmana pede em casamento um turco 20 anos mais velho que ela e dependente químico. Os dois passam a dividir um apartamento com vidas independentes, mas logo a situação foge de controle. Do mesmo diretor de “Soul Kitchen”, exibido na 33ª Mostra.

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O Estranho em Mim
Das Fremde in Mir. Alemanha, 2008. Direção: Emily Atef. Com: Susanne Wolff, Johann von Bülow e Maren Kroymann. 99 min. 14 anos.
Após o nascimento de seu primeiro filho, a vida de um casal muda conforme a mãe não reconhece o bebê e desenvolve profunda depressão. O filme venceu o Prêmio do Júri na 32ª Mostra.

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Hanami - Cerejeiras em Flor
Kirschblüten - Hanami. Alemanha, 2008. Direção: Doris Dörrie. Com: Hannelore Elsner, Elmar Wepper e Aya Irizuki. 127 min. 14 anos.
Depois de ficar viúvo, um homem viaja ao Japão na época da floração das cerejeiras para realizar o sonho da mulher de ser uma dançarina de butô— dança vanguardista típica.

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As Mulheres da Rosenstrasse
Rosenstrasse. Alemanha/Holanda, 2003. Direção: Margarethe von Trotta. Com: Katja Riemann, Maria Schrader e Jürgen Vogel. 136 min. 14 anos.
Com a morte do pai, mulher descobre um lado desconhecido de sua mãe, que foi participante dos protestos de Rosenstrasse, símbolo da resistência alemã ao Holocausto. Da mesma diretora de “Procurando por Ingmar Bergman”, exibido na 42ª Mostra.

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Nada de Mau Pode Acontecer
Tore Tanzt. Alemanha, 2013. Direção: Katrin Gebbe. Com: Julius Feldmeier, Swantje Kohlhof e Sascha A. Gersak. 110 min. 18 anos.
Exibido também na 37ª Mostra, o filme conta a história de um jovem cristão que se muda para a casa de uma família. O que parece caridade se torna um jogo em que se testa o limite das crueldades que o rapaz pode aguentar em nome da fé.

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Oh Boy
Idem. Alemanha, 2012. Direção: Jan Ole Gerster. Com: Tom Schilling, Marc Hosemann e Friederike Kempter. 83 min. 12 anos.
Após desistir da faculdade, terminar com a namorada e passar por uma série de infortúnios, um jovem vaga pelas ruas berlinenses à procura de um café e de seu lugar no mundo. Lançado nos EUA sob o nome “A Coffee in Berlin”.

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Phoenix
Idem. Alemanha, 2013. Direção: Christian Petzold. Com: Nina Hoss, Ronald Zehrfeld e Nina Kunzendorf. 98 min. 10 anos.
Uma sobrevivente de Auschwitz tem o rosto terrivelmente desfigurado por uma bala. Após o fim da guerra e cirurgias de reconstrução que a deixam irreconhecível, ela procura o marido, de quem desconfia que tenha a denunciado aos nazistas.

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Todos os Outros
Alle Anderen. Alemanha, 2009. Direção: Maren Ade. Com: Lars Eidinger, Birgit Minichmayr e Hans-Jochen Wagner. 85 min. 16 anos.
Durante férias no Mediterrâneo, um casamento é testado ao toparem com outro casal que é uma versão deles, só que melhores. Da mesma diretora de “Toni Erdmann” (2016).

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Verão em Berlim
Sommer Vorm Balkon. Alemanha, 2005. Direção: Andreas Dresen. Com: Nadja Uhl, Inka Friedrich e Andreas Schmidt. 107 min. 12 anos.
A amizade entre duas mulheres muda drasticamente com a chegada de um interesse amoroso. Do mesmo diretor de “Enquanto Estávamos Sonhando” (39ª Mostra).

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