Mostra tem 12 pré-indicados ao Oscar de melhor filme internacional; confira

Seleção de concorrentes de a 'A Vida Invisível' inclui o documentário 'Honeyland'

São Paulo

Nunca esteve tão difícil conseguir uma vaga na categoria de filme internacional no Oscar (o antigo filme estrangeiro). Para 2020, são 93 inscritos, número recorde. E pelo menos dois já parecem certos entre os finalistas: “Dor e Glória”, do espanhol Pedro Almodóvar, em cartaz na cidade, e “Parasita”, do sul-coreano Bong Joon-ho.

Como já é tradição, alguns desses concorrentes podem ser vistos em primeira mão no Brasil durante a Mostra. Neste ano, o evento exibe 12 pré-candidatos, incluindo o brasileiro “A Vida Invisível”, de Karim Aïnouz.

Um de seus notáveis concorrentes vem de longe, “Honeyland”, documentário da Macedônia do Norte, dirigido por Ljubomir Stefanov e Tamara Kotevska, que faz boa carreira em festivais (premiado em Sundance).

Cena do filme "Honeyland" (2019)
Cena do filme "Honeyland" (2019), representante da Macedônia do Norte no Oscar - Divulgação

O longa acompanha o cotidiano de Hatidze, última apicultora nômade do país. Vivendo ao lado da mãe octogenária e doente em uma região desértica, Hatdize é apresentada no exercício do ofício. A aridez e a dificuldade que a cercam contrastam com a doçura do mel que coleta, sempre elogiado.

Sua rotina é sacudida com a chegada de uma família turca, cheia de filhos e cabeças de gado. A nova dinâmica traz alegria à apicultora, que desenvolve relação especial com as crianças. Por outro, no entanto, seu modo de vida é ameaçado pelo chefe da família, que tenta lucrar com as dicas de Hatdize sobre apicultura —às quais ele não segue à risca.

O drama estabelecido é tão bem construído que parece ficção. Filmado em três anos (que parecem um na tela), o longa poderia também figurar no Oscar de documentário.
 

Representantes da categoria filme internacional

Cavalos Roubados (Noruega)
Ut Og Stjæle Hester. Noruega/Suécia/Dinamarca, 2019. Direção: Hans Petter Moland. Com: Stellan Skarsgård, Bjørn Floberg e Tobias Santelmann. 122 min. 18 anos.
Ao reencontrar uma amizade antiga, um homem tem de lidar com as memórias de seu pai, que o abandonou 30 anos antes para fugir com a mulher por quem ele próprio era interessado na época. Do mesmo diretor de “Conspiração da Fé”, exibido na 40ª Mostra.

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Empuxo (Austrália)
Buoyancy. Austrália, 2019. Direção: Rodd Rathjen. Com: Sarm Heng, Thanawaut Kasro e Mony Ros. 93 min. 14 anos.
Vendido como escravo, um menino cambojano é forçado a trabalhar num navio pesqueiro tailandês. Sua humanidade vacila frente a um cotidiano marcado por tortura, violência e assassinato. Representante da Austrália por uma vaga no Oscar de filme internacional.

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Honeyland (Macedônia do Norte)
Idem. Macedônia do Norte, 2019. Direção: Ljubomir Stefanov e Tamara Kotevska. 90 min. 12 anos.
O cotidiano da última apicultora nômade da região da Macedônia é o tema deste documentário. As dificuldades e a beleza de sua profissão são apresentadas enquanto ela tem que lidar com a chegada de uma família itinerante turca. Representante da Macedônia do Norte por uma vaga ao Oscar de filme internacional.

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La Mala Noche (Equador)
Idem. Equador/México, 2019. Direção: Gabriela Calvache. Com: Noëlle Schönwald, Cristian Mercado e Jaime Tamariz. 95 min. 16 anos.
Depois de anos sendo forçada a se prostituir e a entregar seu dinheiro à máfia local, uma mulher decide se libertar.

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Monos (Colômbia)
Idem. Colômbia/Argentina/Holanda/Alemanha/Suécia, 2019. Direção: Alejandro Landes. Com: Sofia Buenaventura, Moisés Arias e Julianne Nicholson. 102 min. 16 anos.
Nas montanhas colombianas, um grupo de adolescentes armados é encarregado de manter uma engenheira americana como refém. Após um incidente, as coisas fogem do controle e eles são obrigados a fugir para a floresta. O filme é o representante da Colômbia por uma indicação ao Oscar de filme internacional.

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A Odisseia dos Tontos (Argentina)
La Odisea de los Giles. Argentina/Espanha, 2019. Direção: Sebastián Borensztein. Com: Ricardo Darín, Chino Darín e Luis Brandoni. 120 min.  Class. não informada.
Arruinados pelo congelamento bancário no auge da crise financeira argentina, um grupo resolve pegar de volta o dinheiro confiscado —onde quer que esteja. Representante da Argentina ao Oscar de filme internacional.

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Papicha (Argélia)
França/Argélia/Bélgica/Qatar, 2019. Direção: Mounia Meddour. Com: Lyna Khoudri, Shirine Boutella e Amira Hilda Douaouda. 106 min. 16 anos.
Uma estudante universitária resiste ao conservadorismo de uma Argélia sob guerra civil ao planejar um desfile de moda. Representante da Argélia ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

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O Paraíso Deve Ser Aqui (Palestina)
It Must Be Heaven. França/Qatar/Alemanha/Canadá/Palestina/Turquia, 2019. Direção: Elia Suleiman. Com: Gael García Bernal, Elia Suleiman, Ali Suliman. 97 min. Livre.
O diretor interpreta a si mesmo, um palestino que foge de sua terra natal, mas encontra vestígios de seu país de origem aonde quer que vá. Recebeu menção especial do júri no Festival de Cannes.

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Parasita (Coreia do Sul)
Gisaengchung. Coreia do Sul, 2019. Direção: Bong Joon-ho. Com: Song Kang-ho, Choi Woo-shik e Cho Yeo-jong. 131 min. 16 anos.
A vida de uma família muda drasticamente quando o filho aceita tutorar uma adolescente rica. Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes.

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O Pássaro Pintado (Rep. Tcheca)
The Painted Bird. República Tcheca/Ucrânia/Eslováquia, 2019. Direção: Václav Marhoul. Com: Stellan Skarsgard, Harvey Keitel e Udo Kier. 169 min. 18 anos.
Durante a Segunda Guerra Mundial, um garoto judeu foge para o leste europeu. Quando sua última parente morre, ele tem de enfrentar a perseguição antissemita sozinho.

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System Crasher (Alemanha)
Systemsprenger. Alemanha, 2019. Direção: Nora Fingscheidt. Com: Helena Zengel, Albrecht Schuch e Gabriela Maria Schmeide. 118 min. 18 anos.
Premiado no Festival de Berlim, acompanha uma menina sob a tutela do Estado que quebra todas as regras para retornar à guarda de sua mãe biológica.

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A Vida Invisível (Brasil)
Brasil, 2019. Direção: Karim Aïnouz. Com: Fernanda Montenegro, Carol Duarte e Gregório Duvivier. 139 min. 16 anos.
No Rio de Janeiro dos anos 1950, duas irmãs acreditam —equivocadamente— que a outra leva a vida dos sonhos. Vencedor do prêmio Um Certo Olhar em Cannes e representante do Brasil no Oscar de melhor filme estrangeiro.

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