Descrição de chapéu Crítica Cinema crítica de filmes
Cinema

Protagonista magnética conduz 'Meu Nome É Sara', drama sobre judia que foge do Holocausto

Selecionada entre 650 candidatas, a polonesa Zuzanna Surowy é uma revelação

São Paulo

Meu Nome é Sara

  • Classificação 16 anos
  • Elenco Zuzanna Surowy, Konrad Cichon e Pawel Królikowski
  • Produção Polônia, 2019. 111 min
  • Direção Steven Oritt

Durante a Segunda Guerra Mundial, uma garota polonesa judia que tem a família inteira morta pelos nazistas foge para a Ucrânia, assumindo a identidade de sua melhor amiga. Ela encontra refúgio com fazendeiros. Na presença dos soldados alemães na região, é obrigada a esconder sua religião para sobreviver.

Resumido assim, "Meu Nome É Sara" pode parecer uma como tantas histórias de fugas passadas no Holocausto. Na verdade, é muito mais um drama angustiante, de pressão psicológica, do que uma narrativa de bravura.

A jornada real de Sara Góralnik atraiu Steven Oritt quando ele estava em transição de criador de videoclipes musicais para a direção de documentários. Seu "American Native", de 2014, é um retrato fascinante de uma comunidade que mora numa montanha a 50 km da cidade de Nova York preservando a cultura dos índios americanos. Quando começava a rodar o documentário seguinte, conheceu o relato da jovem e fez dele sua estreia na ficção.

Filmado na Polônia, o longa precisava de uma atriz forte como protagonista. Selecionada entre 650 candidatas, a polonesa Zuzanna Surowy é uma revelação. Pela primeira vez diante da câmera, ela é magnética em um papel que exige mais silêncios do que verbalizações.

Ficar em silêncio é fundamental para Sara. Quanto menos ela falar, menores serão as chances de revelar seu segredo. Ela também precisa esconder sua repulsa pelos nazistas que se interessam por uma garota bonita, além de preservar seu disfarce diante de sua nova família em situações corriqueiras, mas que podem ser difíceis. Como sentar à mesa para comer carne de porco.

A atriz transmite o nervosismo da personagem. No cinema, o espectador sofre junto com ela, como quando Sara se defronta com segredos comprometedores da família que lhe dá abrigo, numa reviravolta da narrativa.

"Meu Nome É Sara" não é impecável porque deixa passar ganchos dramáticos que poderiam render mais emoção. Às vezes fica um pouco frio, talvez devido ao trabalho de documentarista do diretor.
Mas vale a pena ver essa história opressiva, sufocante, e admirar a performance de sua atriz principal.

Salas e horários

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem

Últimas

Ver mais