Peça leva musical de Chico para a periferia

Mesclando MPB, funk e rap, "Gota d'Água {Preta}" reestreia no CCSP

Clara Balbi
São Paulo

Depois de uma estreia curta em fevereiro, com menos de dez apresentações, "Gota d'Água {Preta}" retorna aos palcos na sexta (8), no CCSP.

A adaptação do musical "Gota d'Água", de Chico Buarque e Paulo Pontes, inova ao apresentar pela primeira vez um elenco predominantemente negro e um mix da MPB de Chico com gêneros como o funk e o rap. Pense em "Quadrilha" encontra "Tá Tranquilo, Tá Favorável", de MC Bin Laden.

A trama, ela própria uma adaptação –o musical é baseado em "Medeia", de Eurípedes–, conta a história de Joana, mulher de meia idade abandonada pelo marido, Jasão.

Despejada do conjunto habitacional onde vivia com os filhos, na Vila do Meio-Dia, ela e outros ex-moradores se revoltam contra o construtor dos imóveis, o corrupto Creonte. Mas ele é o pai de Alma, nova amante de Jasão. A tragédia está armada.

Para o diretor Jé Oliveira, a versão cumpre o que o texto insinuava desde o princípio. "A personagem é pobre e é da Umbanda. Tudo leva a crer, pelo contexto histórico, social e racial do país, que essa personagem é preta", explica. “Estamos realizando a coerência que a peça sempre pediu." 

CCSP - sala Jardel Filho - R. Vergueiro, 1.000, Liberdade, tel. 3397-4002. 321 lugares. Sex. e sáb.: 20h. Dom.: 19h. Até 24/3. Ingr.: R$ 30. Ingr. p/ ingressorapido.com.br.

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