Subterrâneo do Theatro Municipal ganha bar comandado por Facundo Guerra

Bar dos Arcos mantém estrutura rústica, mas ganha balcões luminosos e até piscina de bolinha

Leonardo Sanchez
São Paulo

Quem passa pelos portões do Theatro Municipal para assistir a seus grandiosos espetáculos de dança, ópera e música clássica facilmente se impressiona antes mesmo das apresentações com sua arquitetura opulenta. Mas poucos sabem que uma das partes mais interessantes do prédio se encontra escondida em seu subterrâneo, nos antigos dutos de ventilação.

Restaurado nos anos 1980, o Salão dos Arcos era acessível somente por meio de visita guiada, mas, a partir de quinta (13), será lar de um dos empreendimentos mais aguardados da cidade. Comandado por Facundo Guerra, nome por trás da revitalização de outros pontos históricos, como o Mirante 9 de Julho e o Cine Joia, o Bar dos Arcos se juntará a uma longa lista de endereços que têm injetado vida nova no centro de São Paulo —e terá portas abertas até altas horas.

A expectativa em torno da inauguração se deve à longa jornada do empreendimento. A licitação para ocupar o subterrâneo do local foi liberada em 2016, mas, devido a problemas administrativos do teatro, o projeto precisou ser adiado.

Com capacidade para cerca de cem pessoas, a casa funcionará inicialmente em soft opening, com sistema de reservas e menu fechado. Em 2019, entram em cena os cardápios de comes e bebes completos.

Para os drinques, Guerra e seu sócio, Cairê Aoas, trouxeram ao Brasil a argentina Chula, barwoman do renomado Florería Atlântico, em Buenos Aires. Ela também assinada a enxuta seleção de cervejas e vinhos.

Autoral, a carta de drinques terá misturas como a de gim, lichia, limão, aquafaba e açúcar de framboesa e a de tequila, vinho branco, gengibre, limão-taiti e soda de hibisco. Os preços devem começar em R$ 28. Já as comidinhas foram pensadas para compartilhar, com valores acessíveis, segundo Guerra. “Não podemos elitizar, porque o Theatro Municipal é de todos”, diz.

Comes e bebes são servidos sobre longos balcões luminosos, que remetem ao bar do hotel Overlook, onde se passa “O Iluminado” (1980), de Stanley Kubrick. A inspiração, por sua vez, casa com as histórias mal-assombradas sobre o subterrâneo do Municipal. De acordo com o empresário, alguns funcionários têm medo de pisar no local à noite, quando uma entidade conhecida como Fantasma do Piano caminha por ali.

Além dos balcões, que buscam promover a interação entre os visitantes, há pequenos lounges com sofás e poltronas para grupos maiores. Quem for comemorar aniversário pode reservar uma grande mesa que deve ficar dentro de uma piscina de bolinhas. A ideia é justamente quebrar o clima mais rústico e sisudo proporcionado pelos arcos e paredes de tijolos do ambiente, que já foi pensado como espaço expositivo há alguns anos.

A programação musical, por sua vez, deve estar relacionada à do Municipal. A música eletrônica experimental vai se juntar à clássica para embalar o ambiente —e a ideia é que os artistas sejam os próprios membros de bandas e orquestras que se apresentam na superfície.

Após meses planejando e R$ 2 milhões de investimento, Guerra brinca que, com a abertura da casa, chegou ao auge. “O Bar dos Arcos é o ápice de uma carreira. Depois disso é só ladeira abaixo”, ri.

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