Livro de Valter Hugo Mãe ganha tom feminista em adaptação teatral

Em 'A Desumanização', duas atrizes dividem papel de mulher que perde a irmã gêmea

Clara Balbi
São Paulo

Poético e carregado de metáforas, o romance “A Desumanização”, do português Valter Hugo Mãe, ganha sua primeira versão teatral no país a partir desta sexta (10), no Sesc Santana.

Dirigido por José Roberto Jardim e estrelado por Fernanda Nobre e Maria Helena Chira, o espetáculo narra a história de Halla, cuja irmã gêmea, Sigridur, morreu aos 11 anos de idade. Mais de duas décadas depois, a personagem revisita a perda.

A distância temporal é uma das maiores inovações da montagem em relação à narrativa original, passada na infância da protagonista. A peça funciona, assim, como uma espécie de sessão aberta de psicanálise, em que Halla, duplicada na pele das duas atrizes, reflete sobre as pressões sofridas no povoado isolado na Islândia em que cresceu.

De acordo com Jardim, a transposição do relato para o passado da personagem acrescentou uma camada feminista inesperada ao texto de Hugo Mãe.

“Quando Halla perde a irmã, começam a tratá-la como uma metade”, diz. “As atrizes perceberam que é isso que as mulheres vivem o tempo todo dentro de uma estrutura patriarcal.”

Sesc Santana - Av. Luiz Dumont Villares, 579, Jardim São Paulo, região norte, tel. 2971-8700. 330 lugares. Sex. e sáb.: 21h. Dom.: 18h. Estreia sex. (10). Até 30/6. Ingr.: R$ 12 a R$ 40. Ingr. p/ sescsp.org.br.

 

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