Peça que chocou Canadá nos anos 1960 chega a SP em formato musical

Dirigido por criadora do Théâtre du Soleil, 'As Comadres' estreia na sexta (5)

Clara Balbi
São Paulo

Fundadora da célebre companhia francesa Théâtre du Soleil, a diretora Ariane Mnouchkine estreou, no Festival de Teatro de Curitiba deste ano, sua primeira montagem fora do grupo.

Versão de “As Comadres”, comédia escrita pelo canadense Michel Tremblay em 1965 e adaptada para o formato musical por seu conterrâneo René Richard Cyr décadas depois, a peça chega ao Sesc Consolação nesta sexta (5), depois de uma temporada carioca.

A narrativa acompanha Germana Louzan, dona de casa suburbana. Ao ganhar um milhão de selos promocionais, trocáveis por uma variedade de produtos, ela decide chamar 14 “comadres” para ajudá-la a colar os adesivos. Rapidamente, porém, o encontro vira balbúrdia, no qual as mulheres compartilham ressentimentos e fantasias ao mesmo tempo em que cobiçam a sorte da amiga.

Na época da estreia, em 1968, o texto impressionou a sociedade canadense ao retratar os dramas da vida da classe operária de uma perspectiva feminina, chamando atenção para questões como o aborto e a diferença dos salários entre homens e mulheres.

“Continuamos lutando pelas mesmas coisas até hoje, então a trama continua muito atual”, diz Juliana Carneiro da Cunha, atriz do Soleil e uma das responsáveis por trazer o espetáculo ao Brasil. “E, apesar de mantermos exatamente a mesma estrutura do musical de 2010, com o elenco brasileiro e a maneira como a Ariane nos fez trabalhar, a peça virou realmente brasileira”, diz.

A maneira, no caso, é o método que tornou o Théâtre du Soleil conhecido no mundo inteiro, no qual os integrantes da trupe se dividem em todas as funções e recebem salários iguais, podendo se revezar entre os papéis. Daí, aliás, o elenco ser formado por 20 atrizes, apesar de haver só 15 personagens em cena.

Uma delas é Julia Carrera, que também assina a tradução do texto para o português. Se a encenação original de Tremblay chocou a opinião pública na época ao usar um dialeto típico dos guetos do Québec, o “joual”, por aqui a orientação de Mnouchkine foi de obter a maior universalidade possível.

“Procurei colocar palavras em iorubá e em tupi, porque essa é a nossa sonoridade”, diz Carrera.

Sesc Consolação - R. Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque, região central, tel. 3234-3000. 280 lugares. Qua. a sáb.: 21h. Dom.: 18h. Até 28/7. Estreia sex. (5).  Ingr.: R$ 12 a R$ 40. Ingr. p/ sescsp.org.br.

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