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Teatro

Adaptação de 'O Cortiço' muda protagonista da trama para atualizar viés político da obra

Musical 'Bertoleza' coloca mulher negra e escravizada no comando da narrativa

São Paulo

A Gargarejo Cia. Teatral estreia “Bertoleza”, adaptação musical de “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, clássico da literatura brasileira.

Diferentemente da obra original, em que o protagonista é o português João Romão, a montagem dirigida por Anderson Claudir coloca Bertoleza, personagem negra e escravizada, no comando da narrativa. 

Na trama, o oportunista Romão propõe uma sociedade à Bertoleza, prometendo comprar a alforria dela. Eles começam uma vida juntos e constroem um patrimônio: um enorme cortiço, um armazém e uma pedreira. Quando as coisas começam a dar certo, porém, ele planeja se livrar da mulher.

Com a atenção voltada para Bertoleza, que ganha vida na pele da atriz Lu Campos, a narrativa atualiza seu viés político. “Eu vim empretecer / Não quero esclarecer / Vim ocupar o meu lugar”, anunciam os primeiros versos. Com elenco majoritariamente negro, a companhia se vale do texto do século 19 para dialogar com o momento atual e a cultura afro-brasileira. Há referências ao candomblé e menção direta ao assassinato da vereadora Marielle Franco, em 2018. No elenco também estão os atores Eduardo Silva, Taciana Bastos e Bruno Silvério. A estreia é nesta sexta (7). 

Sesc Belenzinho - sala de espetáculos 1 - R. Pe. Adelino, 1.000, Quarta Parada, tel. 2076-9700. Sex. e sáb.: 21h30. Dom.: 18h30. Até 1/3. Ingr.: R$ 9 a R$ 30. Ingr. p/ sescsp.org.br.  

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