Karaokês voltam a ficar lotados em SP após crise da Covid; conheça 10 opções

Estabelecimentos recebem público que solta a voz e a saliva mesmo com casos em alta

Público canta no palco do karaokê Tequilas, na Liberdade

Público canta no palco do karaokê Tequilas, na Liberdade Gabriel Cabral/Folhapress

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São Paulo

Em cima de um palco rodeado por luzes azuis, globos espelhados e lâmpadas coloridas piscantes que dão um ar futurista à decoração, dois microfones passam de mão em mão. Recebem salivas de um grupo de mulheres, de homens de terno que acabaram de sair do trabalho, de um casal de roqueiros e de jovens com looks que parecem ter saído da série "Euphoria".

Não é nem meia-noite de uma sexta-feira e o lugar ferve. Colados uns aos outros, amigos se tornam colegas de infância de pessoas que eram desconhecidas havia poucos minutos. Juntos, entoam sucessos de Marília Mendonça, Legião Urbana e hits das rádios. Quando toca a clássica "Evidências", as vozes explodem.

Pista lotada do karaokê Tequila's, na Liberdade
Pista lotada do karaokê Tequila's, na Liberdade - Gabriel Cabral/Folhapress

A cena tem se repetido todas as semanas no karaokê Tequila’s, no bairro da Liberdade, desde que o endereço foi reaberto, há cerca de um ano, depois de meses fechado por causa da pandemia de Covid-19. Mas o movimento esquentou mesmo em março deste ano, quando o uso de máscaras em lugares fechados deixou de ser obrigatório no estado de São Paulo.

"De sexta e sábado, ninguém suporta tanta gente. Está muito sufocante, e todo mundo quer cantar e beber ao mesmo tempo", resume Naomes Hideshima, que comanda o Tequila’s há 22 anos na região central de São Paulo. Ela diz que nem às segundas e terças a casa fica mais vazia, mas que a procura está maior do que era antes da pandemia. "Estou fazendo dinheiro que não fazia antes."

A dez minutos de carro dali, o cenário é parecido no karaokê Siga la Vaca. Aos fins de semana, a casa da empresária Lilian Gonçalves vem recebendo pessoas ávidas por cantar, enchendo as três salas privativas e o palco coletivo madrugada adentro.

Ainda no centro da cidade, os microfones da Tokyo voltaram a ser disputados nas noites do endereço. O local ficou fechado por oito meses e recorreu até a vaquinhas para se manter. Agora, oito meses após a reabertura, já conseguiu recuperar os níveis pré-pandêmicos de público, conta Junior Passini, um dos sócios.

"Desde a primeira semana da retomada, a procura foi intensa, e o movimento continua em alta", diz.

Público canta na Tokyo, mistura de bar, restaurante, karaokê e balada no centro de São Paulo
Público canta na Tokyo, mistura de bar, restaurante, karaokê e balada no centro de São Paulo - Bruno Santos/ Folhapress

A demanda reprimida por extravasar cantando em cima de um palco e a lotação das salas, porém, não fizeram o setor passar pela pandemia sem baixas. Endereços conhecidos como o Coconut, também da empresária Lilian Gonçalves, e a Choperia Liberdade, por exemplo, viram o faturamento despencar e fecharam as portas. Outros que se despediram da noite paulistana foram Okuyama, Graffiti Videokê e Arte Pizza, na praça Roosevelt.

O desaparecimento desses espaços está diretamente ligado à Covid-19, já que eles funcionam em ambientes fechados, para garantir a vedação do som, cheio de pessoas falando e soltando salivas a torto e a direito.

Mesmo com as liberações de funcionamento, karaokês oferecem alto risco de infecções por coronavírus e são ambiente ideal para o vírus se multiplicar, explica o infectologista Leonardo Weissmann, do instituto Emílio Ribas. O vírus é transmitido, principalmente, quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou fala –só que cantar e gritar expelem muito mais gotículas.

Apesar da diminuição da média de mortes por Covid e do avanço da vacinação, os casos confirmados estão em alta. "Pelo momento da pandemia, é recomendável evitar esses locais muito cheios e com aglomerações", pontua Weissmann.

Para quem quiser se arriscar e deseja cantar em um karaokê, a lista abaixo reúne dez endereços em São Paulo. Há salas de inspiração asiática na Liberdade e no Bom Retiro e palcos em pé-sujos de Pinheiros. É só escolher aquela música que está presa na garganta há meses e soltar a voz.

10 karaokês em SP

Arena Karaokê Bar
Bairro de imigrantes da Coreia do Sul na capital paulista, o Bom Retiro concentra uma boa quantidade de karaokês, seguindo o hábito dos coreanos de ir cantar depois do trabalho ou do bar. Um deles é o Arena, que tem 11 salas e músicas que vão do português ao chinês.
R. Talmud Thorá, 63, Bom Retiro, região central, WhatsApp (11) 97696-1680. Reserva de salas: R$ 70 a R$ 120 a hora


Itaewon
O complexo tem 22 "norebangs", como são chamadas as salas privativas coreanas, de diferentes tamanhos, equipadas com sofás, mesas e até banheiro. Há ainda um salão compartilhado com palco. Dá para escolher as músicas nas máquinas ou pesquisar vídeos no YouTube em um tablet —​o ritmo que reina por lá é o k-pop.
R. Prates, 712, Bom Retiro, região central, WhatsApp (11) 99689-5432. Reserva de salas: R$ 75 a R$ 250 a hora


Izakaya Donchan
O bairro da Liberdade também é conhecido por abrigar diversos karaokês —afinal, eles são uma invenção japonesa da década de 1970 e foram trazidos ao Brasil por imigrantes do país. No pequeno salão, há balcão, mesas e TVs. É possível comer e beber e, para cantar, paga-se R$ 40. A partir de R$ 100 de consumação, as músicas são cortesia.
R. Batataes, 380a, Jardim Paulista, região oeste, WhatsApp (11) 94513-0179. R$ 40 ou R$ 100 consumação


Kinboshi Yzakaya & Karaoke
No boteco, paga-se R$ 35 na entrada para cantar à vontade. No livro de músicas, dá para escolher canções em português, inglês e japonês. Para comer, as sugestões são os sandos —sanduíches recheados de lombo de porco empanado ou de frango.
R. Coronel Oscar Porto, 319, Paraíso, região sul, WhatsApp (11) 98851-5059. R$ 35


Samurai
Aberto em 1969, é um dos mais antigos e tradicionais karaokês de São Paulo. No segundo andar do restaurante está um salão com um grande palco e dois microfones, cercados de imagens de paisagens japonesas e luzes coloridas. A entrada para cantar custa R$ 17.
R. da Glória, 608, Liberdade, região central, WhatsApp (11) 3208-6969. R$ 17


Siga la Vaca
Reúne o público durante a madrugada em três salas de videokê e um palco aberto no salão. As músicas podem ser reproduzidas diretamente do YouTube, ou seja, dá para cantar qualquer canção cuja versão instrumental esteja disponível. A cozinha serve porções, sanduíches e bebidas.
R. Canuto do Val, 97, Santa Cecília, região central, tel. (11) 3222-9841 e WhatsApp (11) 98840-7569. R$ 20. De dom. a qui., grátis até as 21h


Tequila’s Karaokê by Naome’s
Com uma decoração brega e chique, a casa só não funciona aos domingos. A seleção musical reúne 98 mil músicas, entre nacionais e internacionais, que podem ser escolhidas direto no celular. O valor da entrada, de R$ 37, dá direito a uma bebida, que pode ser caipirinha, chope ou tequila, a depender do dia. Para entrar, é necessário apresentar o comprovante de vacinação.
R. da Glória, 543, Liberdade, região central, tel. (11) 3207-2007 e WhatsApp (11) 98156-9290. R$ 37


Tokyo
Com decoração moderninha, tem três salas que comportam até 20 pessoas para serem alugadas. O sexto andar é dedicado a um karaokê coletivo, com um palco com vista para o centro de São Paulo e televisores espalhados para o público acompanhar a cantoria que vai noite adentro.
R. Major Sertório, 110, Vila Buarque, região central, tel. (11) 91118-5260. Reserva de salas: R$ 100 a R$ 250


Vivo’s Bar
O boteco virou point para soltar a voz durante a madrugada. O salão ocupado por mesas e cadeiras de madeira abriga um palco com microfone e caixas de som, com uma seleção de músicas nacionais e estrangeiras. A casa não cobra para cantar, desde que haja consumação —porções, sanduíches e cervejas são parte do menu.
Av. Dr. Arnaldo, 1.215, Pinheiros, região oeste, WhatsApp (11) 2305-5406. É necessário consumir para cantar


Yellow K
Na região do Itaim Bibi, permite cantar hits do momento em uma área com microfone coletivo. Além de pagar a entrada, cada música custa R$ 5 —duas saem por R$ 8. As salas privativas contam com mesas, pufes, geladeira e pole dance e podem ser reservadas.
R. Prof. Atílio Innocenti, 43, Itaim Bibi, região oeste, tel (11) 93802-7634. R$ 80 ou R$ 125 com consumação

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