Mostra de Cinema exibe cópias restauradas de filmes brasileiros e alemães

'Asas do Desejo' e 'Pixote' estão na seleção; obras foram gravadas entre os anos 1960 e 1990

Inácio Araujo

O lote de restauros trazidos para a 42ª Mostra tem, antes de mais nada, o mérito da diversidade. Ali estarão filmes rodados entre os anos 1960 e 1990 do século passado. Dois deles são alemães (“Asas do Desejo” (5) e “Oito Horas Não São um Dia” (3)) e cinco são brasileiros, o que configura um quase milagre (dadas a dificuldades para preservação de obras audiovisuais no país).

É verdade que duas delas têm a marca de instituições estrangeiras: “Pixote, a Lei do Mais Fraco” (1981) (4), de Hector Babenco, foi recuperado pela Fundação George Lucas e a The Film Foundation, patrocinada por Martin Scorsese; “Central do Brasil” (1998), de Walter Salles Jr., passou pelas mãos do CNC (Centro Nacional de Cinematografia Francês) e pela coprodutora francesa MACT.

Ambos representam um momento da história brasileira em que se tratava de compreender, por meio do cinema, quem somos nós.

"Pixote” busca assunto no tratamento dado a menores infratores no Brasil e, de passagem, critica a ação da polícia na época da ditadura. Embora tenha feito muito sucesso no Brasil, foi a consagração internacional que veio com os vários prêmios que acabou por afirmá-lo como um dos produtos principais da época áurea da Embrafilme.

Mais ameno, “Central do Brasil” é talvez o representante mais bem-sucedido da chamada Retomada, período que sucede o fechamento da Embrafilme (1990) pelo então presidente Collor. Além do sucesso nacional e dos prêmios internacionais, concorreu não apenas ao Oscar de filme estrangeiro, mas ao de melhor atriz (Fernanda Montenegro).

Se “O Bandido da Luz Vermelha” (1968) (2) não teve essas honrarias todas, perpetuou-se como a mais brilhante síntese entre produto de grande público, produto intelectual e talento cinematográfico, talvez de toda a história do cinema nacional.

Completam o pacote brasileiro “Jardim de Guerra” (1970), de Neville de Almeida, e “Feliz Ano Velho” (1), adaptação de Roberto Gervitz para o romance de Marcelo Rubens Paiva, já em um momento agônico da Embrafilme.

Os alemães não deixam de lado a tocada política e trazem “Asas do Desejo” (1987), talvez o último bom filme de Wim Wenders.

A peça de resistência, no entanto, são os cinco episódios inéditos da minissérie “Oito Horas Não São um Dia” (1972-73), em que Rainer Werner Fassbinder tratou da vida de casais de classe média em seu tempo. O trabalho foi feito para a TV alemã, a principal produtora do chamado “novo cinema alemão” dos anos 1970.

 

Cópias restauradas:

"Asas do Desejo" (1987), de Wim Wenders

"O Bandido da Luz Vermelha" (1968), de Rogério Sganzerla

"Central do Brasil" (1998), de Walter Salles Jr.

"Feliz Ano Velho" (1987), de Roberto Gervitz

"Jardim de Guerra" (1970), de Neville de Almeida

"Oito Horas Não São um Dia" (1972-73), de Rainer Werner Fassbinder

"Pixote, a Lei do Mais Fraco" (1981), de Hector Babenco


 

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