Clássico do centro de SP, restaurante Pasv fecha definitivamente as portas

Com as atividades suspensas devido ao coronavírus, casa se despede da cidade aos 50 anos

São Paulo

Desde 1970 na avenida São João, região central, o restaurante Pasv encerrou definitivamente as atividades —após o La Frontera também se despedir da clientela paulistana devido à pandemia do novo coronavírus.

"Eles já queriam fechar há algum tempo", conta Eduardo Vieira Castromil, filho de José Ares, um dos sócios do Pasv. "Com a quarentena, teriam que continuar a pagar os dez funcionários e gastar as economias, para voltar pior ainda", comenta. Irmãos, José e Ramon Ares, os atuais sócios da casa, têm 77 e 80 anos, respectivamente.

Homem passa em frente a fachada laranja e amarela de sobrado com cartaz branco escrito Pasv
Fachada do restaurante Pasv, na av. São João, centro de São Paulo, com portões fechados neste sábado (11) - Gustavo Simon/Folhapress

De fachada discreta e ambiente de boteco, o local era conhecido pelo menu em que clássicos da gastronomia espanhola, como puchero e paella, dividiam espaço com pratos brasileiros, a exemplo de churrasco, feijoadas e pê-efes. A cozinha simples, afetuosa, farta e de custo-benefício atraente rendeu à casa menções em colunas de Luiz Horta e André Barcinski nesta Folha.

A casa teve unidades na Lapa e em Pinheiros, em 1966, mas, ao chegar ao centro, manteve apenas endereço da avenida São João. Pasv é uma sigla com as iniciais dos nomes dos primeiros sócios: Perez, Ares, Salcines e Villaverde.

José Ares, o Pepe, um dos sócios do PASV, em foto no salão - Karime Xavier/Folhapress

BARES E RESTAURANTES NO CORONAVÍRUS

De portas fechadas como medida de combate à pandemia do novo coronavírus desde meados de março, bares e restaurantes da capital paulista lutam para sobreviver.

Enquanto muitas destas casas correram para adaptar o serviço da cozinha para oferecer delivery e retirada no local —também chamado de take away— outras optaram por manter as atividades suspensas até poderem abrir novamente o salão.

Por orientação do governador João Doria (PSDB), o prazo da quarentena obrigatória, que teve início em 24 de março, foi estendido até, pelo menos, o dia 22 de abril. Pelas regras da quarentena, só podem funcionar os serviços que sejam considerados essenciais para a população, como alimentação, abastecimento, saúde, bancos, limpeza e segurança.

O delivery é visto como uma forma de minimizar os impactos sofridos pelo setor, que emprega mais de 6 milhões de pessoas.

Enquanto aguardam ajuda federal ou o fim da quarentena, os estabelecimentos se viram como podem —e contam, principalmente, com a ajuda da clientela.

Muitos deles, por exemplo, estão vendendo vouchers para consumo pós-pandemia em sites de financiamento coletivo.

Eles também contam com iniciativas como o GGG (gggbrasil.org), o Menu do Amanhã (loja.gaspaindica.com.br) e o Apoie Um Restaurante (apoieumrestaurante.com.br).

São sites nos quais os comensais podem adquirir vouchers para consumo após a quarentena, mas funcionam como lojas: listam uma série de estabelecimentos, e cabe ao cliente escolher qual ajudar.

A diferença desses projetos para os sites de financiamento coletivo é que, nessas plataformas, o estabelecimento já recebe o dinheiro, sem a necessidade de aguardar o encerramento das campanhas. Sem cobranças de taxa nas transações, os empreendimentos recebem 100% do valor pago.

Uma dica é checar as redes sociais de seus restaurantes e bares favoritos para saber como ajudar.

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