Restaurante La Frontera, em SP, encerra as atividades devido à pandemia do novo coronavírus

'Não tinha nenhuma condição de pagar os funcionários com as portas fechadas', afirma a restauratrice Ana Maria Massochi

São Paulo

De portas fechadas como medida de combate à pandemia do novo coronavírus desde meados de março, bares e restaurantes da capital paulista lutam para sobreviver.

Enquanto muitas destas casas correram para adaptar o serviço da cozinha para oferecer delivery e retirada no local —também chamado de take away— outras optaram por manter as atividades suspensas até poderem abrir novamente o salão.

Por orientação do governador João Doria (PSDB), o prazo da quarentena obrigatória, que teve início em 24 de março, foi estendido até, pelo menos, o dia 22 de abril. E a cena gastronômica paulistana já começou a sentir o baque: o restaurante La Frontera, comandado por Ana Maria Massochi, anunciou o encerramento das atividades nesta quinta (9).

Nos arredores do cemitério da Consolação, região central de São Paulo, desde 2006, o estabelecimento ocupava uma charmosa casa cujos janelões garantiam a iluminação natural. A cozinha, como o nome sugere, era de fronteira, de inspiração sul-americana.

Fachada do restaurante La Frontera, em Higienópolis
Fachada do restaurante La Frontera, em Higienópolis - Leo Caobelli/Folhapress

“Não tinha nenhuma condição de pagar todos os funcionários com o restaurante de portas fechadas”, explica Massochi, que tinha 24 pessoas na equipe. “Contas como luz e água podem ficar para depois, mas, para garantir os salários, era preciso estar faturando.”

Primeira casa de Massochi, aberta desde 1980 na Vila Madalena, o argentino Martín Fierro continua aberto com delivery. “Levei o Filipe [Leite, chef do La Frontera] comigo para lá. Só consegui manter ele e o Adriano [Eliseu Silva Salles], que começou como ajudante de pedreiro no La Frontera e hoje virou meu braço-direito.”

O serviço de entregas do Martín Fierro funciona pelo telefone (11) 3814-6747, pelo WhatsApp (11) 96434-0170 e pelo Rappi, de terça a domingo. É possível conhecer o menu no Instagram da casa (@restmartinfierro).

Empanadas de carne, receita de Ana Massochi, do restaurante Martín Fierro - Marcelo Barabani/Folhapress

O delivery é visto como uma forma de minimizar os impactos sofridos pelo setor, que emprega mais de 6 milhões de pessoas.

No último dia 20, chefs e empresários lançaram o movimento SOS Bares e Restaurantes nas redes sociais para alertar sobre o possível colapso na área.

Na mensagem, eles pediam a participação do governo para garantir o pagamento dos funcionários durante a paralisação, suspensão das obrigações do pagamento de impostos pelos próximos 90 dias e uma criação de linha de crédito.

Enquanto aguardam ajuda federal ou o fim da quarentena, os estabelecimentos se viram como podem —e contam, principalmente, com a ajuda da clientela.

Muitos deles, por exemplo, estão vendendo vouchers para consumo pós-pandemia em sites de financiamento coletivo.

Eles também contam com iniciativas como o GGG (gggbrasil.org), o Menu do Amanhã (loja.gaspaindica.com.br) e o Apoie Um Restaurante (apoieumrestaurante.com.br).

São sites nos quais os comensais podem adquirir vouchers para consumo após a quarentena, mas funcionam como lojas: listam uma série de estabelecimentos, e cabe ao cliente escolher qual ajudar.

A diferença desses projetos para os sites de financiamento coletivo é que, nessas plataformas, o estabelecimento já recebe o dinheiro, sem a necessidade de aguardar o encerramento das campanhas. Sem cobranças de taxa nas transações, os empreendimentos recebem 100% do valor pago.

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