Dono da Mercearia São Pedro quebra móveis do bar e diz ter sido roubado; veja o vídeo

Em meio a possível fechamento, sócio diz não ter acesso aos lucros do famoso boteco de SP

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São Paulo

“Eu que abri esse bar, e ele foi roubado de mim. Foi roubado!”, grita um dos donos da Mercearia São Pedro, Marcos Benuthe, enquanto arremessa uma cadeira numa mesa do local. A cena foi gravada na noite desta terça-feira (31) por uma pessoa do lado de fora do bar da Vila Madalena.

Esse é mais um etapa do imbróglio que cerca o possível fechamento da Mercearia, famoso reduto de escritores e artistas em São Paulo.

O motivo da revolta registrada na gravação, alega Benuthe, é o fato de seu irmão e sócio, Pedro Anis, ter tomado toda a empresa para ele. “Pedro é administrador da Mercearia, então é como se meus 50% tivessem passado para ele”, afirma. Nas palavras de Marquinhos, como é conhecido, sua parte do bar é fictícia.

Ele também afirma não ter acesso às contas da Merça. “No único dia que pude acessá-las, vi que Pedro tinha viajado no mês anterior para a Disney com o cartão da empresa.” No dia seguinte, Anis teria suspendido o acesso de Benuthe às contas.

Segundo Marquinhos, os advogados não conseguiram resolver a situação. “As pessoas acham que, quando eu digo que ele roubou a empresa, estou sendo metafórico ou aumentando as coisas. Mas não é isso. Não é porque concordei com essa divisão do bar por anos que preciso continuar pensando assim”, afirma.

Procurado pela reportagem, Anis diz que essa é a sétima vez em que Benuthe faz coisas semelhantes às da gravação. Ele afirma que já foram feitos seis boletins de ocorrência contra seu irmão.

No último dia 18, Benuthe havia confirmado à Folha que a casa encerraria as atividades de mais de 50 anos e daria lugar a um empreendimento imobiliário. Anis e a suposta compradora negaram que o estabelecimento fecharia as portas.

Questionado novamente pela reportagem, Benuthe disse não querer mais comentar a situação do bar. Não há ainda uma definição da Justiça sobre o local, que passa por um processo de inventário desde a morte do pai dos irmãos.

No dia 4 de agosto, a Justiça de São Paulo determinou a venda de três imóveis que pertencem à família —todos localizados na rua Rodésia, a mesma do bar. Como coproprietário dos imóveis, Benuthe pediu a venda dos prédios dizendo que houve quebra de confiança na sociedade e dificuldade na administração.

Há ainda disputa entre os irmãos em relação ao uso do número 30 também da rua Rodésia, conhecido como Anexo, colado à Mercearia. De acordo com Marquinhos, depois de ter vencido o irmão judicialmente, Anis teria ido ao Anexo para pegar os cartazes de filme, livros e prateleiras que ficavam por ali.

“Quando ele viu que teria que entregar as chaves, foi lá e roubou os materiais que eu tinha comprado com meu dinheiro. Ele pegou seu exército e destruiu tudo”, diz. Ele explica que tenta recuperar o material, mas se vê impedido pela família e pelos seguranças do irmão.

Homem em um ambiente com uma placa escrita 'lançamento', pintando a parede de amarelo
Ambiente do Anexo após a suposta ida de Anis à casa para retirar os cartazes que ficavam ali - Acervo Pessoal

Uma das calçadas mais concorridas da capital paulista, a Mercearia São Pedro foi inaugurada em 1968 por Pedro Benuthe, pai de Pedro e Marcos.

Parte da história do estabelecimento está eternizada nas páginas de “Saideira - O Livro dos Epitáfios”, antologia organizada pelos escritores Marcelino Freire e Joca Reiners Terron, que chegou às livrarias em abril de 2018 em comemoração dos 50 anos da casa.

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