Bar Confessionário tem drinque com água benzida e funciona perto de igreja em SP

Novo endereço em Pinheiros faz referências ao catolicismo no cardápio e na decoração

São Paulo

A poucos passos da igreja que ocupa a parte de trás do largo da Batata, a de Nossa Senhora do Monte Serrate, um novo ponto engrossa, desde o começo de fevereiro, a boa relação entre o sagrado e o profano na região —título que o bar C... do Padre carrega sozinho há mais de seis décadas em Pinheiros.

Nova criação do bartender Jean Ponce e do chef Greigor Caisley, que também estão à frente de casas paulistanas como o Guarita e o Patties, o Confessionário é o filho mais novo e sem frescura da dupla. Pequeno, o espaço tem poucas mesas de madeira distribuídas na calçada e aposta nas cervejas de garrafa e petiscos servidos diretamente de uma estufa de boteco. E não tem medo de fazer referências, com um toque de bom humor, à religião e ao catolicismo.

ambiente de bar
Bar Confessionário, em São Paulo, fica próximo a igreja em Pinheiros e tem decoração temática - Divulgação

Boa parte do charme do negócio está em seu conceito. O nome, herdado de um café que ocupava o mesmo imóvel, faz graça com a proximidade entre o endereço e a igreja, inspirando toda a decoração e também o cardápio.

As prateleiras, abastecidas com garrafas de bebidas, foram feitas com a madeira retirada de cadeiras de antigas igrejas, compradas pela internet. Decorando as paredes, há quadros com fotos de diferentes confessionários de São Paulo, tiradas especialmente para o bar. Atrás do balcão, uma cortina vermelha, parecida com as usadas em templos, aumenta ainda mais o clima religioso.

Mas a sacada está no cardápio. Entre os drinques autorais da carta, chama a atenção o Ninguém É Santo, que custa R$ 29. A bebida leva gim, cachaça com folhas de tangerina, concentrado de capim de santo e, segundo o bartender, um ingrediente que dá o toque final à mistura —água benzida por padres.

Mas o líquido não é abençoado ali ao lado, na igreja vizinha. Os donos dizem que levam a água para outro endereço por enquanto. "Ainda falta ganhar a confiança deles aqui", diz Ponce, que criou as receitas.

​Como pede um bom boteco, o Confessionário não será regado apenas a drinques clássicos e autorais. Também aparecem no cardápio as cervejas de garrafa de 600 ml, as long necks e, é claro, as caipirinhas.

"A nossa ideia era pegar a informalidade e unir ao cuidado com os ingredientes que temos nos nossos outros trabalhos. A gente vem com mais simplicidade, mas sem perder o propósito", conta o bartender.

Entre os comes, aparecem a Hóstia do Confessionário (R$ 12), um torresmo à pururuca com limão, pastéis (a partir de R$ 10), coxinhas de rabada (R$ 12) e espetinhos (a partir de R$ 24). As grandes apostas, no entanto, ficam guardadas na vitrine fria, antiga conhecida de botecos.

"A estufa sempre foi um sonho nosso e acho que ela vai voltar com tudo nos próximos anos. Esses dois anos sem boemia por causa da Covid fizeram com que as pessoas procurassem o ambiente externo, o encontro mais casual", avalia Ponce.

O plano é que, além dos produtos fixos, como azeitonas, alhos, queijos temperados, polvo à vinagrete e rosbife, o espaço também sirva opções esporádicas com o que tiver de mais fresco nos mercados.

Na frente da estufa, a dupla deixou ainda um genuflexório, mais conhecido como misericórdia. Nas igrejas, o pequeno banquinho estofado é usado geralmente para longas rezas feitas de joelhos. Mas, ali, ele ganha outro significado e serve para reverenciar as iguarias do boteco. Ajoelhou, tem que beber.

Confessionário

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