Descrição de chapéu Crítica
Restaurantes

Casa na região de Moema exagera em versão da Amazônia para inglês ver

Restaurante tem ocas de plástico e espaço interativo com óculos de RV para ver 'índios de verdade'

São Paulo

Amazônico

  • Quando Ter. e qua.: 12h às 15h e 19h às 23h. Qui. e sex.: 12h às 15h e 19h à 0h30. Sáb.: 12h à 0h30. Dom.: 12h às 17h
  • Onde R. Inhambú, 1.185, Vila Uberabinha, região sul, tel. 2338 2371. 96 lugares
  • Preço $$$$

O novo Amazônico, que abriu em Moema numa casa ostensiva e cenográfica, promete uma “viagem pelas lendas e rituais da Amazônia”, mas entrega pratos que, embora usem ingredientes particulares da região, fazem referência a clássicos internacionais.

Ora, ora, não se passeia por folclore, por uma cultura popular preservada e transmitida pela tradição oral, por meio de invencionices apresentadas como gravlax da Amazônia, tartare com ervas da floresta ou paella amazônica. 

Tampouco se reproduz um ambiente selvagem, como a casa tem a pretensa intenção de fazer, por meio de uma trilha fake de folhas secas e ocas de plástico —um contrassenso. 

O garçom faz questão de apresentar o “espaço interativo”, no qual os clientes colocam óculos de realidade virtual para ver “índios de verdade” e provar pratos da “alta gastronomia”.

Também soa em desalinho a música internacional bombando na varanda, na qual chama a atenção uma canoa do avô de Jhosy Bitencourtt, chef paraense e empreendedora, também dona do vizinho Ladrillo Parrilla.

No salão, violões brasileiros são mais coerentes para sonorizar a refeição —mas uma trilha briga com a outra. Depois de tantos estímulos, é quase um alento se concentrar na comida.

O ceviche de robalo preserva o peixe íntegro, e este ganha força com a acidez do tucupi que o envolve —mexilhões carnudos também pertencem a essa entrada, que sai por R$ 45. 

O filhote, peixe emblemático da Amazônia, é servido sobre um fogareiro de barro. Roliço e suculento, exibe superfície dourada, levemente tostada, e recebe a companhia de purê de banana (que mais se aproxima de um creme) e de cuscuz (R$ 81). Este é pouco hidratado —a granulada farinha d’água se mantém excessivamente dura e é temperada com pouca ousadia, fica apagado o sabor tão vibrante das ervas da região. 

Assado na parrilla, o tambaqui é servido na folha de bananeira com gordurosa mandioca frita e o mesmo cuscuz amazônico (R$ 120, serve até duas pessoas, a depender da fome, mas esse detalhe não é informado pelo garçom). 

Confitado e grelhado, o porco não tem salvação: chega frio e ressecado, ainda que com um promissor molho à base de açaí (R$ 78). 

Se a cozinha recebesse mais atenção que a decoração —uma Amazônia hollywoodiana—, talvez brilhasse mais.

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