Descrição de chapéu Crítica
Restaurantes

Com intervenções arrojadas na cozinha, Lassù oferece mais do que cenário para selfies

Do restaurateur Ricardo Trevisani, restaurante italiano de salão giratório oferece vista única da cidade

Lassù

  • Quando Ter. a qui.: 12h às 15h e 19h às 23h. Sex.: 12h às 15h e 19h à 1h. Sáb.: 12h às 17h e 19h à 1h. Dom.: 12h às 17h e 19h às 23h
  • Onde R. Conselheiro Saraiva, 207, Santana, região norte, tel. 97627-6148. 90 lugares
  • Preço $$$$

À primeira vista, o que causa mais impacto no Lassù, que abriu há pouco com filas e excitação, é o mesmo para todos. O restaurante ocupa o 28º andar de um prédio em Santana, do qual se pode observar uma São Paulo das alturas.

Depois do choque da paisagem urbana, gera deslumbre o fato de o salão central ter um piso giratório. Ao longo de uma refeição, ele se movimenta lentamente e os lugares mais cobiçados acabam democraticamente revezados. 

Tamanho frisson faz crer, por ora, que o cenário para selfies atrai mais que um prato de comida, mas vale atentar-se ao cardápio. Ainda que as receitas tradicionais italianas imperem (espaguete à carbonara; cordeiro assado com polenta; tiramisu), o chef Lucas Campos arrisca intervenções mais arrojadas.

Em alguns casos, ele realça ingredientes brasileiros, como o mel de cacau, pincelado no polvo grelhado, ou o aratu, caranguejo avermelhado de mangue trazido da Bahia, que enriquece um risoto (R$ 66). 

Carne de sol, abóbora, manteiga de garrafa e castanha-de-caju se combinam em harmonia num risoto mais sertanejo (R$ 62), um aceno ao vizinho Mocotó —os grãos excederam o cozimento e perderam firmeza, mas o todo resulta deliciosamente cremoso, com sabor equilibrado e acolhedor.

O caju surge em realce na sobremesa que faz referência à baba ao rum —aqui, três bolinhos são embebidos em cachaça; o álcool sobressai e inibe as nuances da massa, da fruta e da espuma de caramelo queimado (R$ 29). 

Campos trouxe para o crème brûlée, com cebola caramelizada e endívias, um queijo da serra da Canastra. Deixa transparecer, também, sua inclinação pela cozinha francesa —foi pupilo de Alain Polleto e Pascal Valero. Cuida bem, ainda, da cocção do peixe do dia, uma pescada-amarela embalada em crosta de broa. 
No salão, o serviço corre profissional, marca do restaurateur Ricardo Trevisani, cria da escola Fasano, também dono do Ristorantino.

De lá, repete a lasanha que fez fama nas mãos de Salvatore Loi, a intercalar um potente ragu de vitela com salsa de trufa negra, massa, um bechamel firme e mozarela de búfala. No prato, recebe ainda creme de grana padano de um lado e, de outro, um molho de vitela, bem espesso e colagenoso (R$ 89).

O tiramisu atiça, mas fica para a próxima —é enorme, “para todos”, diz o menu, e custa R$ 66.

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