DJs criam clima comportado para pessoas ficarem sentadas em baladas e bares

Casas de São Paulo espalham mesas pela pista e adaptam festas às regras da pandemia

São Paulo

Não se deixe enganar pela luz baixa, pelo néon que colore o ambiente, pelo globo de vidro e nem mesmo pelo DJ que tenta animar o público espalhado pela pista de dança. A pandemia ainda não acabou —e não, não estamos em uma festa.

Depois de meses de baladas fechadas, de festas virtuais, de transmissões de sets caseiros e de adaptações que transformaram clubes em bares e restaurantes, parte dos DJs estão aproveitando um novo circuito na capital paulista.

Impulsionadas pela fase verde do Plano São Paulo, que no último dia 10 afrouxou a quarentena na capital e aumentou a capacidade dos espaços para até 60% da lotação e autorizou o funcionamento de estabelecimentos até as 23h, as festinhas começaram a retornar —adaptadas— na cidade.

As regras ainda não permitem eventos com mais de 600 pessoas ou com potencial de aglomeração, como é o caso das baladas e das casas noturnas, mas alguns espaços vêm dando um jeitinho para retomar a discotecagem ao vivo.

No novo normal, os DJs abandonam a música alta para tocar sets mais calmos, as pistas de dança abrem espaço para mesas espaçadas pelo ambiente e funcionários prontos para repreender os mais saidinhos. Dançar? Só se for sentado. Beijar um desconhecido? Nem pensar.

O Jerome, por exemplo, turbinou o cardápio com mais opções de comes e bebes e criou o happy hour com trilha sonora. Os DJs que já tocavam da casa, como Marina Dias, aproveitam agora para explorar ritmos que não seriam tão apreciados nas pistas.

Segundo o sócio Cacá Ribeiro, a receita tem funcionado. “A gente está passando por um processo de reeducação e tem que puxar a orelha um pouquinho, mas estamos tentando manter a festa viva sem extrapolar os limites”, diz.

O DJ Millos Kaiser toca no bar Caracol, em São Paulo
O DJ Millos Kaiser toca no bar Caracol, em São Paulo - Eduardo Magalhães/Divulgação

Segundo Caio T, DJ da festa e do selo Gop Tun —que faz uma versão sentada do evento neste sábado, dia 24— também é responsabilidade de quem está à frente do som manter a compostura das pessoas. “A sonoridade colabora para que a coisa seja controlada”, afirma. “É um desafio animar o público tendo que o manter sentado”.

O evento tem duas datas e vai reunir, no máximo, 120 pessoas em cada uma —ou seja, fuja de lá se você fica de cabelo em pé só de pensar em estar rodeado de centenas de desconhecidos.

Na Heavy House, casa que tinha clima de balada e que agora funciona em formato mais próximo de restaurante, a pista está ocupada por mesas. “Ficamos igual professores pedindo para as pessoas voltarem para os lugares”, brinca o sócio e DJ Beto Chuquer.

Para evitar as aglomerações, eles instalaram caixas e televisões que transmitem o som e a imagem dos DJs para as áreas externas. Os anúncios definem o evento com um “músicas gostosas para ouvir sentado”, mas isso não impede que os clientes perguntem se podem dançar.

A pista reorganizada do clube Zig, no centro de São Paulo
A pista reorganizada do clube Zig, no centro de São Paulo - Divulgação

Depois de uma temporada de festas online, o Zig reabriu com o DJ atrás de uma cortina de plástico e as janelas abertas. “Estava com medo de voltar, mas percebi a boa vontade das pessoas. Para elas é a única opção e para nós também”, diz o dono do espaço, Rafa Maia.

Já no Sputnik, Sérgio Oliveira transformou a pista em brechó e usa o primeiro andar da casa no Arouche como bar e restaurante. Na agenda, aparecem DJs de baladas que já aconteciam na casa, como a Tereza.

“É chato ficar limitando as pessoas, mas é o que a gente pode fazer e a multa em caso de descumprimento das normas é altíssima. E não consigo nem pensar em deixar todo mundo dançando sem máscara em um lugar que eu abri, tenho uma responsabilidade”, conta.

Enquanto casas tentam se adequar ao novo formato, festas clandestinas pipocam pela cidade. “É muito ruim para nós ver engraçadinhos fazendo isso. Todas as casas e festas que são legais acabam sofrendo”, diz Cacá Ribeiro, do Jerome.

Segundo a prefeitura, 829 bares, restaurantes, lanchonetes e cafeterias foram interditados desde o início da quarentena por descumprirem as normas. A multa é de R$ 9.231,65 por 250 metros quadrados de área.

Com festas à moda antiga ainda proibidas, ouvir um DJ ao vivo só se for de um jeito comportadinho —sentado, de máscara e com mãos besuntandas de álcool em gel. Veja programação abaixo e, se for, vá de máscara.

*

Caracol Bar
O bar recebe nesta sexta-feira (23) Rafael Moraes, que toca ritmos como jazz, soul e R&B. Já no sábado (24), é a vez de Edu Corelli, que explora o downtempo e o disco.
R. Jaguaribe, 76, Vila Buarque, tel. (11) 4117-9877. Qui. e sex.: 19h às 23h. Sáb.: 17h às 23h.

Heavy House
A casa na zona oeste convida a DJ Tha Sol, nesta sexta, e Phillipi do Fatnotronic, que se apresenta no sábado.
R. Benjamim Egas, 297, Pinheiros, Qua. a sex.: 18h às 23h. Sáb. e dom.: 14h às 23h.

Irregular
A balada faz edição da festa de pop Eu Sou Free neste sábado (24), e da Tereza, evento especializado em música brasileira, no domingo, dia 25.
R. Barra Funda, 605, Barra Funda, região oeste, tel. (11) 95729-3333. Sáb. e dom.: 17h às 23h.

A nova configuração do clube Jerome
A nova configuração do clube Jerome - Divulgação

Jerome
A programação do happy hour tem From House to Disco nesta sexta (23) e um long set comandado por Amanda Mussi no dia seguinte.
R. Mato Grosso, 398, Higienópolis, região central, tel. (11) 2614-6526. Ter.: 12h30 às 14h30. Qua. a sex.: 12h30 às 14h30 e 18h às 23h. Sáb.: 16h às 23h.

Madame
A casa celebra 37 anos com o projeto Bats&Robots nesta sexta-feira (23). No dia seguinte tem um set que acompanha o lançamento de um filme sobre o espaço. Já no domingo (25) é a vez do evento Domingo Subterrâneo.
R. Cons. Ramalho, 873, Bela Vista, tel. (11) 2592-4474. Sex. a dom.: 18h às 23h. É recomendado reservar p/ (11) 93740-6752.

Mundo Pensante
O espaço na Bela Vista retoma a programação neste fim de semana. Na sexta, a discotecagem fica a cargo de Gabi Pensanuvem e, no sábado, quem toca é Marina Lopes, do Samba do Sol.
Mundo Pensante - R. 13 de Maio, 830, Bela Vista, região central, tel. (11) 5082-2657. Sex. (23): 18h. Sáb. (24): 16h. Ingr. ou cons. mín.: R$ 15 a R$ 180 por mesa (2 a 6 pessoas). É recomendado reserva via WhatsApp (11) 95222-2661.

Quintal Gop Tun
Pátio, restaurante e jardim do hotel Selina Madalena são ocupados pela discotecagem da equipe de DJs do selo musical. São 28 mesas distribuídas pelo espaço.
Hotel Selina Madalena - R. Aspicuelta, 237/245, Vila Madalena,. Sáb. (24 e 31) e Dom. (25 e 1º): 14h às 22h. Ingressos Esgotados.

Sputnik
A casa no Arouche tem pop na sexta, rock no sábado e anos 1980 no domingo.
Lgo. do Arouche, 330, República, tel. (11) 2028-2857. Sex. a dom.: 17h às 23h.

Zig
Tocam a dupla KxB (dia 23), Gui Tintel (24) e G/O (24).
R. Araújo, 155, República. Qui. e sex.: 18h às 23h. Sáb. e dom.: 16h às 23h.

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