Descrição de chapéu Opinião inverno
Restaurantes

Mesmo com delivery, sopas e caldos requerem cuidado e atenção ao preparo

Receitas calorosas e reconfortantes são sugestões para o inverno que começa

São Paulo

O inverno que começa agora sugere pratos reconfortantes e calorosos, inclusive na temperatura. Sopas e cremes parecem soluções simples para o momento de aconchego à mesa. Mas, mesmo com aparência singela, podem não ser tão simples assim —às vezes envolvem longo preparo.

A fome começa a se anunciar e você quer uma coisinha despretensiosa, uma sopinha como um capelletti in brodo. Não dá para improvisar em poucos minutos —o caldo terá tomado horas de preparo, ao menos se tiver a qualidade da Vinheria Percussi, por exemplo, isso sem falar na confecção dos pequenos cappelletti.

O que dizer então se desejar uma massa de sabores mais profundos, asiáticos, como um lamen tonkotsu, do Ramen Maru? O caldo que envolve macarrão, legumes, ovo, pancetta, é feito com ossos de porco (difícil ter em casa) por três dias. O macarrão vem cru, separado (como os demais ingredientes), para cozinhar rapidamente e misturar ao conjunto.

Ainda na seara japonesa, pode enfrentar o frio com boa dose de picância com o lamen do Jojo Ramen —o kara misso vem com caldo grosso de pasta de soja e pimentas, além de carne de porco e legumes.

Kara missô, opção de lamen do Jojo Ramen
Kara missô, opção de lamen do Jojo Ramen - Rafael Salvador/Divulgação

São pratos reconfortantes, com cara de sopinha, mas nada simples. Tendo se tornado a única opção para acessar nossos restaurantes afetivos, o sistema de delivery (ou retirada), com suas naturais limitações, mostrou que se aplica, até com mais facilidade, aos líquidos de inverno.

Eles nunca chegarão fumegantes, claro, mas isso dá para contornar. Em vários casos, a solução é simples —basta aquecer o conteúdo numa panela no fogo ou na própria embalagem, no micro-ondas. Em outros, que requerem mais operações para montar o prato, ainda assim são práticos (e melhor do que caldos apenas mornos, ou itens que cozinharam demais no percurso).

Podem ser pratos proverbiais, mas que sustentam como nos velhos tempos, mesmo quando feitos sem grande elaboração —como a afetiva canja de galinha da Sweet Pimenta (vem reforçadíssima com arroz e legumes) e o caldo verde da rotisseria Bologna, com generosas porções de couve e linguiça.

Como nem só de sopas se faz um inverno, há também cremes mais densos —veja o sofisticado creme de milho do Charco (feito de milho-verde tostado, com cebolas assadas e rôti de legumes) ou o aromático creme de funghi do Loup (vale a pena reaquecer para liberar seus vapores).

E, para ter a opção de uma refeição totalmente consistente, fui atrás de um ensopado clássico. Achei uma bouillabaisse (a sopa de peixes típica do sul da França) no Canaille —o caldo de peixe envolve camarão, vôngole, mexilhão e peixe (precisa reaquecer com rapidez para que os pescados não passem do ponto).

Não poderia ignorar uma versão brasileira de frutos do mar ensopados —e encontrei a exuberante caldeirada do Amadeus (peixe, camarão, lula, polvo e vôngole em molho de tomate e ervas). Dá medo aplicar um último golpe de calor e estragar o ponto de cozimento impecável dos pescados, mas eles sobrevivem bem, não há inverno que resista.

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem

Últimas

Ver mais