Descrição de chapéu Crítica
Restaurantes

Com preços contidos e ingredientes brasileiros, menu do Café do Farol tem falhas na execução

Falta de sal e temperatura morna prejudicam criações estéticas do chef Victor Dimitrow

Luiza Fecarotta
São Paulo

No 26º andar do Farol Santander, pode-se encantar a vista de pelo menos duas maneiras. Uma delas, óbvia, é observar São Paulo de um mirante, a 160 metros de altura (e a R$ 15 o ingresso); a outra é reparar nos detalhes estéticos dos pratos que Victor Dimitrow, chef do Petí, assina para o Café do Farol, do Suplicy Cafés Especiais.

Em um cenário art déco, no edifício Altino Arantes, inaugurado nos anos 1940 —e, desde então, histórico—, dá para pinçar elementos de café da manhã e brunch ou criações do chef feitas para o almoço. São, no geral, fruto de boas ideias, leves, vistosas, mas prejudicadas pela falta de sal recorrente e pela temperatura. Quase tudo chegou morno à mesa —sinal de que o serviço ainda vacila.

Salada de tomates, melancia com bloody mary, ricota e azeitona é opção de entrada no Café do Farol
Salada de tomates, melancia com bloody mary, ricota e azeitona é opção de entrada no Café do Farol - Caio Ferrari/Divulgação

Para abrir os trabalhos, uma das opções é o atum (com centro preservado cru) envolto em uma lâmina fina de batata (frita), cuja inspiração Dimitrow buscou no inglês fish and chips. Gominhos de cítricos como toranja (grapefruit) e limão-siciliano dão graça ao conjunto; purê de abacate, coentro e rabanete fornecem untuosidade, intensidade e frescor, respectivamente.

A salada de tomates (quatro variedades) com melancia, uma cremosa ricota e azeitona desidratada (de sabor acentuado) sai-se bem —bonita de ver, gostosa de comer. Mas há que se registrar que o mais precioso da melancia (a textura) perde força ao ser embebida em bloody mary. O filé-mignon de porco (úmido e rosado, mas frio e sem sal) recebe a companhia de mil-folhas de mandioquinha, purê de folha de mostarda, um denso e colagenoso molho rôti e torresmos —chochos. Mais leve é o dourado do mar (ou outro peixe do dia) com purê e cuscuz de brócolis (este, triturado em minipedaços firmes, al dente), erva-doce e bisque de camarão (lhe faria bem mais potência).


Entrada, prato principal e sobremesa (como o pudim de café ou a musse de chocolate, ambas bem executadas) saem por R$ 48. Reforçam, pois, a natureza do chef —que vem numa crescente com seus Petís— de cobrar preços contidos por receitas que fogem do senso comum e realçam ingredientes brasileiros aqui e ali —eis o cambuci, o cumaru.


O café expresso chamou especial atenção: chegou à mesa com a crema esparsa e rala —que não condiz com as bem treinadas equipes de Marco Suplicy. Compensou o café com leite, brilhante, cremoso, com dulçor natural.


No balanço, vale a visita. E vale voltar para observar se o serviço e a operação na cozinha melhoram para que apareça o potencial de Dimitrow.

Avaliação: regular

Farol Santander - R. João Brícola, 24, 26º andar, centro, tel. 3553-5627. Ter. a dom.: 9h às 20h.  Ingresso: R$ 15 a R$ 20. 

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