Descrição de chapéu Crítica
Restaurantes

No pequenino Lido, referências do mar dividem espaço com massas

Em Pinheiros, casa tem cardápio inspirado na região italiana da Ligúria

Luiza Fecarotta
São Paulo

Lido

  • Quando Ter. a sex.: 17h às 24h. Sáb.: 13h às 23h.
  • Onde R. Fradique Coutinho, 282, Pinheiros, região oeste, tel. 2384-9839. 32 lugares.

Uma breve experiência no Lido, novo italiano em Pinheiros, revela algumas contradições. Ele se propõe despretensioso, mas o cappelletti in brodo, que surge circunstancialmente no cardápio, é oferecido enfaticamente pelo garçom como “o melhor do mundo”. 

Ao mesmo tempo em que serve água da casa como cortesia e drinques a preços abaixo do mercado —a depender da noite, spritz, gim-tônica e negroni saem por R$ 20—, não deixa alternativa ao cliente que quer água com gás: é só uma, importada, e custa R$ 15 (505 ml).

Ainda que o ambiente seja pequetitinho e sugira acolhimento, música italiana toca alta e atendimento é excessivamente interativo.

Eis a cena. O cardápio expressa a inspiração que o italiano Roberto Rebaudengo, 46, chef autodidata e sócio da casa, buscou na região da Ligúria, de onde veio há quase dez anos. Referências do mar dividem espaço com massas e preparos no forno.

A farinata, cuja base combina água e farinha de grão-de-bico, vai ao forno com azeite. Remete a uma panquequinha achatada que ganha mais graça e sabor quando coberta com gorgonzola derretido da mineira Serra das Antas (R$ 28). 

Aliás, é mérito a escolha dos fornecedores de laticínios —são queijarias brasileiras com produtos premiados. Vem da fazenda Atalaia, no interior de São Paulo, as lascas de queijo que enriquecem o talharim fresco, de textura delicada, com cogumelo seco porcini (R$ 48). 

Mais bruta é a massa triangulada com aparência de crepe submetida a duas cocções; primeiro, em um testo italiano, como uma chapa, depois, aquecida em água fervente. É servida ao pesto denso de manjerona, erva associada à aromática cozinha da Ligúria, e pinolis (R$ 46). 

Ao final, oferecem focaccias para raspar o prato. Mas, no lugar de uma massa com azeite espessa e macia, um pão mais achatado e seco.

Saiu-se bem o pargo, em si. O peixe pode ser servido inteiro e é cobrado por peso (R$ 120, o quilo). Sai do forno com carne branca, úmida e de sabor delicado, na companhia de pinoli, tomatinhos adocicados e batatas em rodelas finas e molengas. 

Para acabar, tiramisù muito doce (R$ 24) e café pelando, extraído na cafeteira italiana.

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