Fotógrafo do século 19 é tema de mostra no IMS

Exposição sobre Marc Ferrez reúne mais de 300 imagens e equipamentos

Clara Balbi
São Paulo

Um dos nomes de peso do acervo do Instituto Moreira Salles, Marc Ferrez ganha, a partir da próxima terça (26), sua segunda retrospectiva no museu. "Marc Ferrez: Território e Imagem" propõe, de acordo com o curador Sergio Burgi, uma visão mais aprofundada da obra do fotógrafo, um dos mais importantes do século 19 no Brasil.

Com mais de 300 itens, entre imagens, equipamentos da época, documentos e álbuns originais (dois deles pertencentes ao Museu Getty, em Los Angeles), a exposição se baseia em dois fios condutores. O primeiro, a própria trajetória de Ferrez, representativa da evolução científica e tecnológica que marca o final do século 19 e início do século 20. O segundo, a história do Brasil, cujas transformações --e paradoxos-- podem ser vistos em registros que datam de 1867, início da carreira do fotógrafo, até 1922, um ano antes de sua morte.

Neste primeiro recorte, além das imagens em si, é digna de nota a exibição de equipamentos da época, como câmeras e lanternas mágicas, além de reproduções em estereoscopia, técnica que simula tridimensionalidade.

A ideia é mostrar a produção de Ferrez da forma como era consumida na época, tornando mais tangíveis as sucessivas reinvenções profissionais de um artista que, nos últimos anos de vida, chegou a abrir um cinema.

O segundo norte da exposição é o desenvolvimento do país, guiado em parte pelo trabalho de Ferrez à frente da Comissão Geológica do Império do Brasil, de 1875 a 1878.

Foi nestas e outras andanças que Ferrez produziu as imagens de grandes obras públicas e do trabalho escravo nas fazendas de café que permeiam a exposição. As últimas, destinadas a exibir o principal produto econômico nacional no exterior, forjam um sistema de aparente eficiência ao mesmo tempo em que desvelam a realidade da escravidão

Para Burgi, é a partir dessas imagens que é possível construir uma ponte entre presente e passado do país.

"Claro que as pessoas usavam fraque e cartola, mas na essência os processos ali envolvidos não estão tão distantes. Temos que olhar para trás e perceber que a sociedade brasileira não resolveu aquelas contradições", diz.

IMS Paulista - Av. Paulista, 2.424, Bela Vista, região central, tel. 2842-9120. Ter., qua. e sex. a dom.: 10h às 20h. Qui.: 10h às 22h. Abertura terça (26), às 18h. Até 21/7. Livre. GRÁTIS

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