Artistas mulheres ganham destaque na programação de museus e galerias

"Mulheres Radicais: Arte Latino-Americana, 1960-1985" abre na Pinacoteca neste sábado

Marina Consiglio
São Paulo

Em uma época em que a igualdade entre gêneros na sociedade é o centro de discussões, é natural que museus e galerias também se debrucem sobre o tema. 

A representatividade feminina no cenário artístico já havia sido discutida em São Paulo no ano passado, com a retrospectiva, no Masp, das ​Guerrilla Girls —coletivo artístico americano conhecido pela militância feminista, que evidencia a falta de mulheres em museus, galerias e premiações.

O debate ganha ainda mais força agora, com a grande exposição coletiva “Mulheres Radicais: Arte Latino-Americana, 1960-1985”, na Pinacoteca, a partir deste sábado (18), com quase 300 obras de 120 artistas mulheres.

No CCSP, a mostra “Arte Tem Gênero?” propõe um recorte na Coleção de Arte da Cidade, expondo artistas brasileiras como Carmela Gross, Jac Leirner e Célia Euvaldo. 

Em 2019, o eixo curatorial do Masp mantém o foco nelas e traz apenas individuais de mulheres na programação do ano. 

Para aproveitar o clima de mais mulheres nas etiquetas das obras do que nuas em pinturas e esculturas, o Guia faz um roteiro de exposições de artistas que estão em cartaz na cidade, além de adiantar a agenda dos próximos meses.

Onde estão as mulheres?

Em setembro de 2017, o Masp recebeu uma retrospectiva das Guerrilla Girls —coletivo americano de artistas militantes feministas. Nela, um enorme cartaz amarelo questionava se as mulheres precisam estar nuas para aparecer no museu, acompanhado pelo seguinte dado: apenas 6% dos artistas do acervo em exposição são mulheres, mas 60% dos nus são femininos.

O Guia tentou fazer levantamento semelhante com outros dois grandes museus de São Paulo, o MAC-USP e a Pinacoteca, desconsiderando os nus.

MAC-USP
Entre as cerca de 700 obras do acervo em exposição, apenas 153 são assinadas por mulheres. Isso representa 21,8% do total.

Pinacoteca
Não foi possível levantar a tempo quantas obras de artistas mulheres estão expostas no museu atualmente. Mas, de um total de 1.732 artistas com obras no acervo, 405 são mulheres; 23,4% do total.

 

Mulheres Radicais: Arte Latino-Americana, 1960-1985

Com a abertura, neste sábado (18), da exposição “Mulheres Radicais: Arte Latino-Americana, 1960-1985”, os espaços do primeiro andar da Pinacoteca serão tomadas por mulheres. A representação do corpo feminino não é exatamente uma novidade em museus —a diferença agora é que ali não é o ponto de vista masculino. É o delas. 

Exibida pela primeira vez pelo museu Hammer, de Los Angeles, em 2017, e, em seguida, pelo museu Brooklyn, em Nova York, “Mulheres Radicais” encerra seu ciclo no museu paulistano. O Brasil será, aliás, o único país latino-americano a recebê-la.

Com curadoria da historiadora de arte  anglo-venezuelana Cecilia Fajardo-Hill e da pesquisadora ítalo-argentina Andrea Giunta, a seleção traz números superlativos: são mais de 280 trabalhos em diversos formatos de 120 artistas de 15 países. Isso se reflete, também, em sua importância. É a primeira mostra na história a trazer um extenso mapeamento do trabalho de artistas latinas.

O recorte cronológico não é destacado no título da exposição à toa. É um período de turbulência política, social e cultural na região, que se reflete na produção artística.

“É um momento em que o corpo ocupa um lugar central na arte e essas mulheres, que queriam falar mas não podiam, começam a explorar o ponto de vista feminino, e não apenas em assuntos que estão conectados com o corpo feminino”, explica Giunta.

As obras abarcam fotografia, vídeo, pintura e outros suportes. A seleção traz algumas das artistas mais influentes do último século, como as brasileiras Lygia Pape e Lygia Clark; a chilena Cecilia Vicuña e a cubana Ana Mendieta. Em sua companhia, estão trabalhos de nomes cuja importância ainda não havia ganhado o devido reconhecimento. Maria Evelia Marmolejo, Nelbia Romero, Olga Blinder e Ana Victoria Jimenez são algumas das destacadas pelas curadoras, que afirmam que “mais de 60% da exposição é composta por artistas esquecidas”.

Devido ao caráter itinerante de “Mulheres Radicais”, alguns dos trabalhos expostos nos Estados Unidos não estarão no Brasil. A lacuna será completada com obras de Wilma Martins, Yolanda Freyre, Maria do Carmo Secco e Nelly Gutmacher. A curadora-chefe da Pinacoteca, Valéria Piccoli, colaborou na edição brasileira da exposição.

Pça. da Luz, 2, Bom Retiro, região central, tel. 3324-1000. Seg. e qua. a dom.: 10h às 17h30. Até 19/11. Livre. Abertura 18/8. Estac. (grátis). Ingr.: R$ 6. Sáb.: grátis.

 

Outras mulheres em cartaz

ADRIANA MACIAL
Funarte

Contemplada com o Prêmio Funarte Conexão Circulação Artes Visuais, a mineira (Belo Horizonte, 1964) ganhou esta mostra na instituição que sintetiza sua produção nos últimos dez anos. São telas, objetos e instalações que brincam com a percepção visual do espectador.
Al. Nothmann, 1.058, Campos Elíseos, região central, tel. 3662-5177. Seg. a sex.: 10h às 18h. Sáb. e dom.: 10h às 21h. Até 24/9. Livre. GRÁTIS

ALICE QUARESMA
Caixa Cultural São Paulo

Na mostra “Horizonte”, a carioca (1985) apresenta uma releitura do neoconcretismo, movimento artístico brasileiro do final dos anos 1960, que tem como expoentes nomes como Lygia Clark e Hélio Oiticica. Nas 50 obras expostas, ela testa os limites permitidos pela fotografia ao criar intervenções com tinta, lápis, fitas adesivas e outros materiais.
Pça. da Sé, 111, Sé, região central, tel. 3321-4400. Ter. a dom.: 9h às 19h. Até 30/9. Livre. GRÁTIS

AMANDA MEI
Baró Galeria

“Miragem”, primeira exposição da paulistana (1980) como representada pela galeria, propõe uma reflexão acerca da paisagem do planeta e os elementos que a constituem. A maior parte das obras que compõe a mostra tem como elemento central a rocha, representada em esculturas, objetos e pinturas.
R. da Consolação, 3.417, Cerqueira César, região oeste, tel. 3666-6489. Seg.: 14h às 19h. Ter. a sex.: 10h às 19h. Sáb.: 11h às 19h. Até 25/8. Livre. GRÁTIS

ANA MARIA TAVARES
Vermelho

Estes são os últimos dias para conferir a exposição “Rotações Infinitas”, da mineira de Belo Horizonte (1958), em cartaz até este sábado (18). Na mostra, Tavares apresenta uma série de trabalhos em 
diversos suportes, principalmente fotografia, que criam diálogos com arquitetos como o alemão Ludwig Mies van der Rohe (1886-1969) e o brasileiro Oscar Niemeyer (1907-2012).
R. Minas Gerais, 350, Higienópolis, região central, tel. 3138-1520. Ter. a sex.: 10h às 19h. Sáb.: 11h às 17h. Até 18/8. Livre. GRÁTIS

ARTE TEM GÊNERO? 
CCSP
Inaugurada na última sexta (10), esta mostra coletiva traça um diálogo com “Mulheres Radicais”: é composta apenas pelas obras assinadas por artistas mulheres presentes no acervo da Coleção de Arte da Cidade, sob guarda do CCSP, num recorte que visa destacar como a presença delas é desproporcional em relação aos trabalhos de homens da coleção. Ana Maria Tavares (em cartaz na Vermelho), Carmela Gross, Lygia Pape, Regina Silveira, Regina Vater (estas quatro também na Pinacoteca; Silveira está, ainda, no Mube) estão presentes na exposição.
R. Vergueiro, 1.000, Liberdade, região central, s/ tel. Ter. a sex.: 10h às 20h. Sáb. e dom.: 10h às 18h. Até 14/10. Livre. GRÁTIS

IOLE DE FREITAS
Galeria Raquel
Arnaud
Conhecida pelas esculturas feitas com arame, aço, pedras e até água, criadas a partir da década de 1980, a mineira de Belo Horizonte (1945) usava um suporte diferente no início da carreira: o corpo. Esta mostra apresenta sequências fotográficas e filmes experimentais produzidos nos anos 1970, período em que morou na Itália, que mostram a interação física da artista com espelhos, vidros e outros materiais. Freitas também está em “Mulheres Radicais”.
R. Fidalga, 125, Pinheiros, tel. 3083-6322. Seg. a sex.: 10h às 19h. Sáb.: 12h às 16h. Até 15/9. Livre. GRÁTIS.

LENORA DE BARROS
Anexo
Millan
Curtinha, a mostra “Só Línguas”, da artista paulistana (1953), começou na última terça (14) e termina neste sábado (18). Nela, a artista, que é uma expoente da poesia visual, apresenta a língua como elemento central de fotos e vídeos. Barros também integra a seleção de “Mulheres Radicais”.
R. Fradique Coutinho, 1.416, Pinheiros, tel. 3031-6007. Sex.: 10h às 19h. Sáb.: 11h às 18h. Até 18/8. Livre. GRÁTIS

MAURA GRIMALDI
Galeria Virgílio

A paulistana (1988) investiga nesta mostra, por meio de objetos, projeções, fotografias e uma intervenção no espaço da galeria, como a percepção da imagem é alterada com o uso de técnicas como a hipnose e o mesmerismo (o uso do magnetismo animal e hipnotismo no tratamento e cura de doenças).
R. Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 426, Pinheiros, tel. 2373-2999. Seg. a sex.: 10h às 19h. Sáb.: 11h às 17h. Até 6/9.  GRÁTIS

REGINA SILVEIRA
Mube

A saída que batiza a exposição “Exit” da artista gaúcha (Porto Alegre, 1979) faz referência ao seu tema principal: labirintos. São 41 trabalhos, entre instalações, vídeos, gravuras e objetos, produzidos entre 1970 e 2018, alguns deles inéditos no Brasil. Silveira, está na seleção de “Mulheres Radicais”. 
R. Alemanha, 221, Jardim Europa, região oeste, tel. 2594-2601. Ter. a dom.: 10h às 18h. Até 4/11. Livre. GRÁTIS

ROMY POCZTARUK
Zipper Galeria 

Os desdobramentos no Brasil da corrida armamentista nuclear durante a Guerra Fria é o tema da exposição da fotógrafa gaúcha (Porto Alegre, 1983). A mostra traz imagens feitas no interior das Usinas Nucleares de Angra dos Reis, em composições com fotos dos arquivos da Comissão Nacional de Energia Nuclear.
R. Estados Unidos, 1.494, Jd. América, tel. 4306-4306. Seg. a sex.: 10h às 19h. Sáb.: 11h às 17h. Até 15/9. Livre. Abertura 18/8, 12h. GRÁTIS

VALESKA SOARES
Pina_Estação

A retrospectiva traz um conjunto de pinturas, colagens, objetos, instalações e esculturas produzidas ao longo de 30 anos pela artista mineira (Belo Horizonte, 1957). 
Lgo. Gen. Osório, 66, Santa Efigênia, região central, tel. 3335-4990. Seg. e qua. a dom.: 10h. Até 22/10. Livre. GRÁTIS

 

PREPARE-SE

Beatriz Chachamovitz
Esculturas de cerâmica que representam diferentes espécies de recifes de corais em risco compõem a instalação “Jardins Inférteis”, da paulistana (1986).
Sesc Santana - Av. Luiz Dumont Villares, 579, Jd. São Paulo, tel. 2971-8700. Ter. a sex.: 10h às 21h. Sáb.: 10h às 19h. Dom.: 10h às 18h. Até 1º/12. Abertura 28/8. GRÁTIS

Imagem da série “Sobremesa”, da exposição “Gula”, de Berna Reale
Imagem da série “Sobremesa”, da exposição “Gula”, de Berna Reale - Divulgação

Berna Reale
A artista e perita criminal paraense (Belém, 1965) inaugura sua primeira individual em São Paulo, “Gula”. Nela, apresenta seis séries fotográficas e uma instalação nas quais aborda a violência do cotidiano em obras permeadas pela presença de comida.
Galeria Nara Roesler - Av. Europa, 655, Jd. Europa, tel. 2039-5454. Seg. a sex.: 10h às 19h. Sáb.: 11h às 15h. Até 3/11. Abertura 25/8. GRÁTIS

Clara Ianni
O novo vídeo da artista paulistana (1987), “Repetições”, revisita a primeira peça feita contra a ditadura militar em 1965, “Arena Conta Zumbi”, do Teatro Arena.
Vermelho - R. Minas Gerais, 350, Higienópolis, tel. 3138-1520. Ter. a sex.: 10h às 19h. Sáb.: 11h às 17h. Até 29/9. Abertura 28/8. GRÁTIS 

Jessica Mein
A produção mais recente da paulistana (1975) é tema desta mostra na galeria Leme. Além de uma instalação de vídeo, Mein apresenta instalações feitas a partir de recortes de tecidos cujas tramas, desalinhadas, formam novos padrões geométricos.
Galeria Leme - R. Valdemar Ferreira, 130, Butantã, tel. 3093-8184. Ter. a sex.: 10h às 19h. Sáb.: 10h às 17h. Até 29/9. Abertura 25/8. GRÁTIS 

“Reborde Quatro”, de Jessica Mein
“Reborde Quatro”, de Jessica Mein - Divulgação

Maria Laet
Em “Poro”, a artista carioca (1982) apresenta 11 obras em suportes diversos, vídeos, fotografias e objetos, nas quais cria sutis intervenções poéticas para refletir sobre o tempo e limites físicos.
Galeria Marilia Razuk - R. Jerônimo da Veiga, 131B, Jd. Europa, tel. 3079-0853. Seg. a sex.: 10h às 19h. Sáb.: 11h às 16h. Até 20/10. Abertura 25/8. GRÁTIS  d

Minerva Cuevas
Em “Dissidência”, a mexicana (Cidade do México, 1975) apresenta uma seleção de sete vídeos e uma projeção de slides. As obras usam linguagem publicitária e pop para abordar relações sociais e o papel de grandes corporações na produção de alimentos e no uso dos recursos naturais.
Galpão VB - Av. Imp. Leopoldina, 1.150, Vila Leopoldina, tel. 3645-0516. Ter. a sáb.: 12h às 18h. Até 15/12. Abertura 30/8. Livre. GRÁTIS

 

A PARTIR DE SETEMBRO

Denise Milan
Estudiosa dos processos geológicos, a paulistana (1954) apresenta, em “Ordenação: o DNA da Pedra”, esculturas, objetos, instalações e desenhos nos quais é possível visualizar etapas de seu processo criativo, que incluem o aprendizado científico e a interpretação de padrões gráficos da natureza.
Galeria Lume - R. Gumercindo Saraiva, 54, Jardim Europa, região oeste, tel. 4883-0351. Até 10/11. Abertura 5/9. GRÁTIS 

Isabelle Borges
Em “Campos Sintéticos”, a artista baiana (Salvador, 1966) apresenta 17 obras que usam desenho, colagem e pintura para refletir sobre a maleabilidade do espaço.
Emmathomas Galeria - Al. Franca, 1.054, Jd, Paulista, tel. 3045-0755. Até 27/10. Abertura 5/9. GRÁTIS

Letícia Ramos
A gaúcha (Santo Antônio da Patrulha, 1976) propõe uma investigação ficcional acerca do impacto que fenômenos naturais causam na sociedade em “História Universal dos Terremotos”, que reúne instalações e um vídeo.
Pivô - Av. Ipiranga, 200, lj. 54, República, tel. 3255-8703. Até 27/10. Abertura 2/9

Lucia Laguna
A exposição traz obras da artista fluminense (Campos dos Goytacazes, 1941), que produz telas de grandes proporções nas quais elementos da cidade se misturam à formas abstratas em uma sobreposição de camadas e técnicas distintas de pintura.
Masp - R. Paulista, 1.578, Bela Vista, tel. 3149-5959. Até 10/3/19. Abertura 13/12

Regina Vater
Fotografias, vídeos e instalações compõem esta retrospectiva da carioca (1943), expoente na arte brasileira nos anos 1960 e 70. Vater também está em “Mulheres Radicais”.
Galeria Jaqueline Martins - R. Dr. Cesário Mota Jr., 443, Vila Buarque, tel. 2628-1943. Até 19/1/19. Abetura 27/10

Rochelle Costi
A exposição “Reforma” traz fotografiasda gaúcha (Caxias do Sul, 1961) que destacam a arquitetura de cenários diversos no país e convidam à reflexão sobre o improviso e a adaptação na cultura brasileira.
Luciana Brito Galeria - Av. Nove de Julho, 5.162, Jd. Paulista, região oeste, tel. 3842-0634. Até 6/10. Abertura 4/9

Rosana Paulino
Com uma obra marcada por questões sociais, étnicas e de gênero, a paulistana (1967) apresenta sua primeira mostra na Pinacoteca. 
Pina_Luz - Pça. da Luz, 2, Bom Retiro, tel. 3324-1000. Até 4/3/19. Abertura 8/12

Sonia Gomes
A exposição mostra a produção da mineira (Caetanópolis, 1948), caracterizada por esculturas e instalações feitas com pedaços de tecido e objetos diversos que remetem à práticas artesanais brasileiras.
Masp - R. Paulista, 1.578, Bela Vista, tel. 3149-5959. Até 10/3/19. Abertura 13/12

Ateliê397
Vozes Agudas
Nesta exposição coletiva, nove artistas e cinco curadoras e pesquisadoras refletem sobre as questões que envolvem ser artista mulher no Brasil. Participam da coletiva: Alessandra Carrijo, Cal Kielmanowicz, Camilla Bologna, Clarice Cunha, Flora Leite, Karola Braga, Lahayda, Leticia Barros, Lyz Parayzo, Natália Marchiori, Noara Quintana, Tania Rivitti e Thais Rivitti.
Ateliê 397 - R. Gonzaga Duque, 148, Vila Pompeia. Abertura 1º/9

 

Em 2019

Tarsila no Masp
Em 12/11, o seminário “Histórias Feministas, Mulheres Radicais” inaugura o eixo curatorial de 2019 do Masp, apenas com exposições individuais de artistas mulheres. O evento, organizado em parceria com a Pinacoteca, propõe um diálogo com a mostra “Mulheres Radicais”. A primeira grande mostra anunciada pelo Masp é uma retrospectiva da modernista Tarsila do Amaral (1886-1973), prevista para abril.

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