Confira roteiros temáticos para se orientar na 33ª Bienal de São Paulo, que começa nesta sexta

Mais fragmentado, evento descentraliza a curadoria e aposta em múltiplas coletivas

Amanda Ribeiro Úrsula Passos
São Paulo

A partir desta sexta (7), o Pavilhão da Bienal, desenhado por Oscar Niemeyer, será ocupado por cerca de 600 obras de arte vindas de diversos cantos do mundo. Com trabalhos de quase cem artistas, a 33ª Bienal de São Paulo recebe gratuitamente o público até 9/12.

O tema desta edição, que tem curadoria do espanhol Gabriel Pérez-Barreiro, é Afinidades Afetivas. A proposta é aproximar arte e público em uma mostra menos centrada em discursos e mais preocupada com a experiência do espectador.

Neste ano, a organização é fragmentada entre sete curadores-artistas, responsáveis por conceber coletivas que articulam seus trabalhos com os de nomes que os influenciam.

Além das coletivas, há individuais de 12 artistas organizadas por Pérez-Barreiro.

O Guia propõe quatro roteiros temáticos que passeiam pelas áreas ocupadas por diferentes curadorias, espalhadas pelos três andares do edifício. Cada um dos núcleos recebe, ao lado, um número, que identifica a localização dos artistas nos roteiros.

Há ainda sugestões de mostras individuais de artistas que estão na Bienal e de coletivas para quem quer explorar mais da arte contemporânea.

 

Propostas curatoriais

1. Sentido/Comum - Antonio Ballester Moreno (térreo)
O espanhol Antonio Ballester Moreno relaciona arte e natureza com trabalhos de artistas profissionais e não-profissionais

2. A Infinita História das Coisas - Sofia Borges (1º andar)
A paulista Sofia Borges  expõe obras que exploram o inconsciente e a incapacidade da linguagem de expressar a realidade

3. O Pássaro Lento - Claudia Fontes (2º andar)
O espaço da argentina Claudia Fontes reúne instalações e vídeos que criticam o ritmo acelerado da contemporaneidade e contrapõem natureza e cultura

4. Sempre Nunca - Wura-Natasha Ogunji (2º andar)
Composto apenas por obras de mulheres, o núcleo da americana Wura-Natasha Ogunji  traz trabalhos que dialogam com o espaço expositivo e discutem território

5. Aos Nossos Pais - Alejandro Cesarco (2º andar)
O uruguaio que discute linguagem e memória incorpora na ala artistas nascidos entre as décadas de 1920 e 1980. As obras exploram a repetição e a autoria

6. Stargazer 2 -Mamma Andersson (3º andar)
A sueca Mamma Andersson  evoca a melancolia em seu núcleo, que traz obras de artistas nascidos entre o fim do século 19 e os anos 1960, além de relicários russos

7. Os Aparecimentos - Waltércio Caldas (3º andar)
O carioca Waltércio Caldas comanda um ambiente que mescla várias de suas esculturas a trabalhos formais de artistas que o influenciaram

8. Individuais
Bruno Moreschi, Denise Milan, Lucia Nogueira , Luiza Crosman, Maria Laet, Nelson Felix, Siron Franco, Tamar Guimarães e Vânia Mignone  (Brasil), Alejandro Corujeira (Argentina), Aníbal López (Guatemala) e Feliciano Centurión  (Paraguai)

Pavilhão da Bienal - Av. Pedro Álvares Cabral, pt. 3, pq. Ibirapuera, tel. 5576-7600. Ter., qua., sex. e dom.: 9h às 19h. Qui. e sáb.: 9h às 22h. Até 9/12. Livre. GRÁTIS
Agendamento de visitas c/ mais de dez pessoas ou escolas: 3883-9090. 

 

Nascidos nos anos 1980

Ana Prata (2)
Nascida em 1980, a mineira trabalha a pintura como meio de experimentação e usa diferentes técnicas, materiais e suportes

Bruno Dunley (2)
O fluminense, que nasceu em Petrópolis em 1984, tem como principal linguagem a pintura e produz obras mais próximas da abstração

Sofia Borges (2)
A artista-curadora, responsável pelo núcleo A Infinita História das Coisas, nasceu em 1984 e trabalha principalmente com fotografia

Lhola Amira (4)
Nascida em 1984, a sul-africana produz vídeos, fotos e instalações que discutem as condições sociais dos negros e as feridas do apartheid

Ruby Onyinyechi Amanze (4)
Nascida em 1982 na Nigéria, a artista é conhecida por seus trabalhos em papel. Neles, explora questões relacionadas ao hibridismo cultural

Cameron Rowland (5)
Discípulo de Duchamp, o americano nascido em 1988 se apropria de objetos cotidianos e subverte suas funções

Sara Cwynar (5)
A canadense, nascida em 1985, trabalha com fotos, colagens e instalações. Suas obras apostam geralmente em cores fortes e remetem a propagandas e catálogos


Com tempo, veja apenas vídeos

Roderick Hietbrink (3)
O holandês discute em seus trabalhos o confronto entre emocional e racional. Em “The Living Room” (2011), uma casa é invadida por uma árvore

Tamar Guimarães (8)
A mineira trabalha com narrativas que partem de abordagens pessoais e mesclam documentário e ficção. Na mostra, exibe um vídeo inédito

Alejandro Cesarco (5)
O artista-curador do núcleo Aos Nossos Pais explora em suas obras a repetição. Expõe, na Bienal, vídeos como “Learning the Language”, sobre linguagem

Oliver Laric (5)
Austríaco, Laric trabalha com temas relacionados à cultura pop. Seu vídeo “Betweenness” (2018) apresenta desenhos simples, em preto e branco, de diversos tipos de pessoas e animais

Aníbal Lopez (8)
O guatemalteco tem exposta a obra “Testimonio” (2012), que se propõe a apresentar a realidade da Guatemala pelos olhos de um assassino profissional

Gunvor Nelson (6)
Há dois vídeos da sueca: “Take Off” (1972), sobre uma stripper que vai se despindo de partes do próprio corpo, e “My Name Is Oona” (1969), que traz como protagonista sua filha

John Miller e Richard Hoeck (5)
O americano e o austríaco apresentam “Mannequin Death” (2015), em que o braço de um manequim empurra uma série de outros bonecos de um precipício


Sem tempo, veja os imperdíveis

Tunga (2 e 7)
Um dos mais importantes artistas brasileiros, morto em 2016, tem esculturas e instalações expostas pela quinta vez em uma Bienal

Claudia Fontes (3)
Argentina, a curadora do núcleo O Pássaro Lento expõe uma instalação composta de pedaços de cerâmica etiquetados a palavras que podem ou não formar uma narrativa 

Lucia Nogueira (8)
A goiana tem expostas esculturas e instalações que subvertem o uso de objetos cotidianos com o intuito de causar estranheza

Mamma Andersson (6)
Com referências que vão da pintura nórdica à arte folk, as obras da sueca —curadora do núcleo Stargazer 2— retratam paisagens e interiores

Feliciano Centurión (8)
Paraguaio morto em 1996, aos 34 anos, produziu principalmente bordados, em que retratou animais, expressou desejos e discutiu sexualidade

Anthony Caro (7)
Maior escultor britânico de sua geração, produzia suas obras em metal que exploravam o potencial da tridimensionalidade

Waltércio Caldas (7)
Escultor e desenhista, é artista-curador de Os Aparecimentos. Suas obras convidam o público a observar de diferentes perspectivas


Para levar as crianças

Antonio Ballester Moreno (1)
O artista-curador do núcleo Sentido/Comum faz referência à natureza em obras como uma instalação em que pinturas de sua autoria dialogam com esculturas feitas por crianças dos CEUs

Estação de Campo (1)
Concebida pelo americano Mark Dion, a instalação foi composta a partir de várias aquarelas criadas como se fossem registros botânicos e produzidas pela equipe do próprio parque Ibirapuera

Friedrich Fröbel (1)
O pedagogo alemão estudou a importância dos brinquedos na formação da criança. A Bienal apresenta alguns desses itens

Denise Milan (8)
A paulistana, que trabalha com aspectos naturais, expõe uma instalação composta por pedras de cristais de diversas cores

Vânia Mignone (8)
A paulista tem a pintura e o desenho como linguagens artísticas. Em seus trabalhos, aposta em tons fortes e retrata personagens em cenas que levam o público a imaginar uma narrativa

Ladislas Starewitch (6)
O cineasta, roteirista e diretor de arte conhecido como um dos pioneiros da animação em stop motion tem exposto um vídeo que tem como protagonista um inseto

Alejandro Corujeira (8)
Argentino, o artista que trabalha principalmente com linhas e formas geométricas tem exposta uma instalação interativa que imita um labirinto

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