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No Dia da Luta Antimanicomial, assista a cinco filmes sobre o tema no streaming

Obras sobre Nise da Silveira e Arthur Bispo do Rosario discutem o tratamento psiquiátrico

São Paulo

Eletrochoque, lobotomia e celas eram regras nos antigos hospícios —isso até que um grupo de psiquiatras, enfermeiros e outros profissionais começou a lutar por uma psiquiatria que rompesse com a ideia de que lidar com loucos tinha de envolver violência.

No Brasil, o Dia da Luta Manicomial é comemorado no dia 18 de maio. Esse movimento foi influenciado pelo trabalho do psiquiatra italiano Franco Basaglia que, a partir dos anos 1960, mudou completamente as terapias que eram feitas com pessoas com transtornos mentais nas cidades de Trieste e Gorizia, na Itália, com a ideia de que elas fossem reintegradas à sociedade.

Cena do filme 'Nise - O Coração da Loucura', sobre o trabalho da psiquiatra com o ateliê de pintura em hospital psiquiátrico
Cena do filme 'Nise - O Coração da Loucura', sobre o trabalho da psiquiatra com o ateliê de pintura em hospital psiquiátrico - Divulgação

Nise da Silveira foi um nome fundamental para abordar essa nova perspectiva por aqui. Ela criou ateliês de pintura e trabalhou outros tipos de terapia num hospital psiquiátrico no Rio de Janeiro onde, até então, tratamentos invasivos e incapacitantes eram o protocolo.

A violência com que pessoas com transtornos mentais são tratadas nesses espaços já abolidos e também as outras formas de terapias com pinturas e materiais artísticos foram parar numa série de livros e filmes sobre o assunto.

Kaira Cabañas, pesquisadora americana que estuda a loucura e a arte, inclusive afirma que a produção cultural brasileira é rica em referências a esses sujeitos. Na literatura, ele estão em "O Alienista", de Machado de Assis, e nos escritos de Lima Barreto, por exemplo.

No cinema, é o caso das cinebiografias de Nise da Silveira e Arthur Bispo do Rosario. E até nas novelas eles estão, como exemplificam personagens como Tonho da Lua, de "Mulheres de Areia", e Salvador, de "Império".

Abaixo, conheça cinco filmes que abordam a reforma psiquiátrica no Brasil.​

Nise - O Coração da Loucura
A médica alagoana Nise da Silveira, uma das poucas mulheres num hospital psiquiátrico dominado por homens, mudou os rumos da discussão sobre psiquiatria no Brasil ao adotar um tratamento mais humano para os internos, que ela chamava de "clientes". A cinebiografia mostra o trabalho que ela desenvolveu no hospital psiquiátrico no Rio de Janeiro ao criar ateliês de pintura e divulgar obras para nomes como o crítico de arte Mário Pedrosa.


Brasil, 2016. Direção: Roberto Berliner. Com: Glória Pires, Claudio Jaborandy, Simone Mazzer. 12 anos. Na HBO Max, Apple TV, Amazon Prime Video e outras plataformas de streaming


O Prisioneiro da Passagem
O curta-metragem de Hugo Denizart é um dos poucos registros de entrevista dada por Arthur Bispo do Rosario, que passou 50 de seus 80 anos dentro de hospitais psiquiátricos e criou mantos, estandartes e objetos com toda sorte de objetos. Hoje, ele é reconhecido como um artista visual e tem exposições que tentam dar conta da influência que exerceu em trabalhos contemporâneos de nomes como Leonilson e Rosana Paulino.

Brasil, 1982. Direção: Hugo Denizart. No Canal do YouTube do Museu Bispo do Rosario


Bicho de Sete Cabeças
O longa de 2001 estrelado por Rodrigo Santoro, que vive um jovem internado em manicômio pela família, se tornou um marco do cinema brasileiro. Nele, um adolescente é internado após fumar maconha e é sujeito a tratamentos violentos com eletrochoques e outras formas de tortura.
Brasil, 2001. Direção: Laís Bodanzky. Com: Rodrigo Santoro, Othon Bastos, Cássia Kis. 16 anos. Na Netflix


Em Nome da Razão
O Hospital Colônia de Barbacena é considerado um dos grandes casos da barbárie e da falta de humanização no tratamento psiquiátrico. Milhares de pacientes dormiam em espaços projetados para poucas centenas de pessoas, passavam fome e sofriam tortura. Pesquisas também dão conta que as descargas de choques elétricos nos pacientes eram tão intensas que chegavam a afetar o abastecimento de luz da cidade. Este curta filmado em 1979 mostra o cotidiano dos internados e se tornou marco da luta antimanicomial no país.

Brasil, 1979. Direção: Helvécio Ratton. No Amazon Prime Video, com assinatura do Looke


Epidemia de Cores
Trabalhos como os desenvolvidos por Nise da Silveira com o ateliê de pintura se alastraram por outros centros psiquiátricos do país. Este documentário, por exemplo, mostra o cotidiano dos que participam de uma oficina de criatividade no Hospital Psiquiátrico São Pedro, em Porto Alegre, e discute como se dá essa imbricação entre arte e terapia.​

Brasil, 2016. Direção: Mário Saretta. 10 anos. No Apple TV, iTunes, Google Play e YouTube

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