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Testamos a HBO Max, que chega ao Brasil; conheça seus pontos fortes e fracos

Plataforma fez bom uso da demora para desembarcar no Brasil e reúne catálogo robusto

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São Paulo

Os loucos por assinaturas de streaming acordaram nesta terça, dia 29, com uma boa notícia. Não exatamente por causa da chegada da HBO Max ao Brasil, mas pelo que ela representa: o fim da HBO Go, um serviço com catálogo robusto de séries, mas que pecava por ser careiro e cheio de falhas técnicas.

Em suas primeiras horas em solo brasileiro, a HBO Max já provou que melhorias foram feitas na usabilidade. Funcionalidades básicas que antes não existiam foram adicionadas à nova plataforma da WarnerMedia —como, por exemplo, a função “continuar de onde parou”, enquanto as telas congeladas que eram uma constante na HBO Go parecem ter dado trégua ao espectador.

As telas da HBO Max, que desembarcou no Brasil com produções originais
As telas da HBO Max, que desembarcou no Brasil com produções originais - Chris Delmas/AFP

Alguns erros pontuais apareceram durante o teste da reportagem, é verdade, mas nada que não pudesse ser contornado com facilidade.

A migração de Go para Max, aliás, foi fácil para quem já assinava a plataforma anterior. Depois de inserir seus dados, o assinante é levado para um simples cadastro e logo é direcionado para o novo menu principal —que, aliás, tem navegabilidade infinitamente melhor, com listas temáticas e área dedicada às produções originais da HBO Max.

Buscas por gêneros, cineastas e atores também trazem bons resultados, embora haja algumas limitações, principalmente quando a procura é por temas. Termos como “LGBT”, “queer” ou “gay”, por exemplo, não retornam com séries e filmes coloridos.

Por isso, a plataforma parece ainda estar longe de quem hoje domina o mercado de streaming —no caso, basicamente a Netflix, plataforma na qual, ao buscar por um título que não está disponível, recebemos dicas de produções semelhantes ao que gostaríamos de ver.

Ainda comparando com a concorrência, a HBO Max parece ter feito bom uso do tempo que demorou para chegar ao Brasil. Diferentemente do Paramount+, que correu para ser lançado no mercado latino-americano ao mesmo tempo que no americano, o serviço da WarnerMedia já estreou por aqui disponível em diversos dispositivos e tem um catálogo robusto, que justifica o preço de sua assinatura, com pacotes que chegam a R$ 28 por mês.

Estão lá produções originais, séries da HBO, desenhos do Cartoon Network, heróis do universo da DC Comics e filmes da Warner Bros, de clássicos a blockbusters recentes. Franquias de peso, como “Harry Potter” e “Senhor dos Anéis”, devem ser um bom diferencial nesta guerra de streamings que vivemos hoje.

Apesar da boa oferta, alguns problemas não devem ser ignorados. Como virou praxe nos principais serviços sob demanda, os clássicos estão escondidos e é difícil localizá-los —mas eles estão lá, de Stanley Kubrick a Stanley Donen, o que já é uma excelente notícia.

Alguns deles, por outro lado, estão sem legendas em português, como é o caso de “O Mágico de Oz”, que aparece na home da plataforma com destaque. Na seção infantil, queridinhos da TV por assinatura ficaram de fora, como “A Mansão Foster para Amigos Imaginários”, ou aparecem incompletos, por exemplo “As Meninas Superpoderosas”.

Também chama a atenção a ausência de títulos que estavam na HBO Go e que não fizeram a transição para a HBO Max. A premiada minissérie “Anjos na América”, um bastião do catálogo da emissora televisiva, se perdeu pelo caminho.

No quesito técnico, a plataforma perde pontos em relação às legendas, que, descentralizadas, mais se parecem com um banner branco no canto da tela e atrapalham algumas cenas. Além disso, as sinopses se parecem com um emaranhado de frases de efeito, que não ajudam na hora de escolher um filme —para piorar, o aplicativo não disponibiliza trailers.

Para os cinéfilos, a boa notícia é que o serviço chega ao Brasil já com uma oferta razoável de produções originais, bem como filmes que estiveram nos cinemas há pouco tempo —e que muita gente não viu por medo da pandemia—, como “Mulher-Maravilha 1984”. O plano, agora, segundo a empresa, é abastecer o catálogo com longas após apenas 35 dias do lançamento nos cinemas, sem custo adicional.

Apesar do objetivo ambicioso, ele ainda está somente no discurso. Grandes sucessos recentes da Warner Bros. lamentavelmente ainda não estão disponíveis no streaming, como é o caso de “Nasce Uma Estrela” e “Judas e o Messias Negro” —ambos vencedores do Oscar. É provável que eles desembarquem na HBO Max aos poucos, conforme contratos com outros serviços sob demanda vençam, como o Disney+ vem fazendo. Mas isso só o tempo irá dizer.

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